Quem anda à chuva molha-se, e quem anda nas estradas portuguesas arrisca-se. Os mais antigos lembrar-se-ão muito bem do anúncio televisivo dos anos 80 em que um lápis desgovernado seguia pela estrada até se despistar, como se fosse um carro guiado por alguém com excesso de álcool no sangue, inabilitado para a tarefa. A célebre campanha da Prevenção Rodoviária Nacional alertava então para o perigo de conduzir sob o efeito de bebidas alcoólicas, um flagelo que não desapareceu da rede viária nacional, mas que entretanto foi ultrapassado pelos excessos de velocidade, na escala dos maiores riscos para quem se cruza num alcatrão cada vez mais disputado.
“Já andei de bicicleta em quase todos os países da Europa e sei que Portugal está com um problema. Depois de muitos anos a dar importância ao álcool, e bem, não estamos a dar a devida importância à velocidade”, aponta Mário Alves, presidente da Estrada Viva, Liga de Associações pela Cidadania Rodoviária, Mobilidade Segura e Sustentável. “Culturalmente, estamos atrasados. Hoje, já não fica bem alguém dizer no fim do jantar que vai para casa com os copos, mas se calhar ainda se gaba de chegar ao Algarve em duas horas”, ilustra o também presidente da mesa da assembleia geral da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados.

