Qual é a pessoa portuguesa mais famosa? Se fizermos hoje esta pergunta na Europa, na Ásia, nas Américas ou na Oceânia, a resposta sacramental será sempre a mesma: Cristiano Ronaldo. Mas daqui por dez ou vinte anos continuará a ser assim? É de duvidar… Na imparável sucessão das décadas, já lá vão os tempos (relativamente recentes) em que os estrangeiros reconheciam facilmente o nome de Luís Figo e, antes, os de Eusébio e Amália Rodrigues. Passados os circunstancialismos e as modas, permanecerão, no entanto, três figuras de portugueses universais: o infante D. Henrique, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães.
Destes três, o primeiro foi o impulsionador das viagens dos Descobrimentos, esses empreendimentos hoje tão malvistos pela cultura woke, mas que revelaram os contornos do lar mundial à totalidade dos humanos – que até aí viviam fechados cada um em seu quarto. O terceiro, que deu nome a galáxias, crateras da Lua e de Marte, um asteroide, sondas espaciais, telescópios e computadores, esteve na origem da primeira viagem de circum-navegação, mas, por circunstâncias que não vêm agora ao caso, viajou ao serviço da Espanha. Quanto ao segundo, Vasco da Gama, esse foi o homem que comandou a expedição que mostrou à Europa como se podia navegar diretamente até à Índia, trazendo de lá, sem recorrer a intermediários, as tão cobiçadas especiarias, sobretudo a pimenta. Dito assim, não parece nada de muito extraordinário, mas essa façanha literalmente picante inaugurou uma nova era da História da Humanidade.
