Ainda hoje, na rua, há quem a trate por “dona Tieta”, mesmo que a telenovela da Globo com esse nome, baseada numa obra de Jorge Amado, tenha passado na RTP há mais de 30 anos. A personagem principal, uma mulher “fogosa”, que largou a aldeia onde nasceu e a que regressou mais tarde para atormentar o conservadorismo dos seus habitantes, ganhou carisma com o talento de Betty Faria. Anos antes, já o público português a conhecera noutra personagem igualmente marcante e revolucionária: Lígia, de Água Viva.
Aos 82 anos, a atriz brasileira não perdeu a rebeldia, o charme ou a forma de falar nasalada e bem articulada. Continua ativa na profissão que adora, entre filmes e séries – aliás, veio a Lisboa promover Codex 632, na RTP, a partir de 2 de outubro, e há de voltar brevemente para a estreia de Justa, filmado neste ano, na serra da Estrela, sob a batuta de Teresa Villaverde. Eis a entrevista, com vista de 180 graus sobre Lisboa e o rio, um elegante conjunto de casaco, calças e top azul-petróleo e o delicioso sotaque carioca – a que se junta a compreensiva indignação por este mundo, que anda meio louco.
