No dia 2 de janeiro de 2018, Manuel Frexes depositou 1 050 euros em notas. No dia seguinte, outros 1 050. Doze dias depois, novo depósito, desta vez de 500 euros. A 19 do mesmo mês e ano, entraram 520 euros. Neste mesmo dia, num novo depósito em numerário, mais 180 euros. Milhares de movimentos como estes durante cinco anos levaram o Ministério Público a avançar com uma liquidação ao património do antigo presidente da Câmara do Fundão, que irá a julgamento pelos crimes de peculato, participação económica em negócio e falsificação de documentos, alegadamente cometidos no exercício daquelas funções.
De acordo com um levantamento feito pelo Gabinete de Recuperação de Ativos da Polícia Judiciária que consta de um processo-crime no Tribunal de Castelo Branco, entre 2015 e 2019, Manuel Frexes e a mulher obtiveram rendimentos lícitos de 575 mil euros, que resultaram de ordenados, como o de deputado do PSD na Assembleia da República, rendimentos prediais e pensões. Ao mesmo tempo, porém, as suas contas registaram entradas – a maior parte em depósitos em numerário – de 4,7 milhões de euros. Isto faz, segundo o Ministério Público, com que exista um património incongruente que deve ser declarado perdido a favor do Estado. A liquidação passa, caso o autarca venha a ser condenado, pelo arresto dos seu bens. Algo que já foi iniciado, ainda que preventivamente, no processo, com a juíza Carla de Azevedo Maia, do Tribunal de Castelo Branco, que acompanhou a fase de investigação do processo, a ordenar o arresto preventivo de várias contas bancárias, viaturas e dois imóveis de Manuel Frexes
