Dois irmãos começaram em 2019 por desenvolver uma plataforma de apoio aos estudantes universitários da área da saúde, com conteúdos interativos que visavam desafiar a prática comum de “ler os livros e praticar com exercícios”. Agora, a criação de um inovador software de inteligência artificial, já a ser implementado em escolas do país, vem ajudar alunos na sua tarefa de aprendizagem e professores na identificação de lacunas dos seus alunos.
Gonçalo e Diogo Coluna são os fundadores da UNI2ALL, uma start-up portuguesa de tecnologia aplicada na área do ensino. Gonçalo, o mais velho, é médico e docente universitário na Nova Medical School e Diogo está agora no quinto ano do curso de Medicina na mesma faculdade. A envolvência na área da educação veio desde cedo por a mãe ser professora universitária nas áreas de matemática e estatística, mas a veia empreendedora dos irmãos fê-los passar das observações à prática.
Deparados com o problema, salientado por vários alunos, da imensidão de diversidade de conteúdos e de recursos para estudar, resolveram desenvolver uma ferramenta de estudo alternativa: uma que não só otimizasse ao máximo o processo de aprendizagem, mas que permitisse personalizar esse processo face às necessidades individuais de cada um, como explica Gonçalo à VISÃO: “Percebemos que, de facto, não chega ler os livros ou praticar com exercícios. É necessário implementar diferentes metodologias e recursos para facilitar a aprendizagem, e foi nesse sentido que decidimos desenvolver esta solução.” E assim nasceu a UNI2ALL Students, com vídeos, perguntas, flashcards e outros conteúdos interativos. A produção fica a cargo de assistentes universitários e investigadores, sendo todo o material revisto por um grupo heterogéneo de professores.

A pandemia veio acelerar — ao contrário do que sucedeu nos vários outros setores da economia — o crescimento da plataforma. A obrigatoriedade de confinamento estabeleceu o estudo à distância como modelo de ensino preferencial e “felizmente isso contribuiu para o crescimento da nossa plataforma”, como reconhece Gonçalo. Veio também, por outro lado, abrir horizontes para os irmãos, que começaram a perceber novas tendências e falhas neste modelo.“Havia um gap: porque é que a tecnologia não é utilizada para identificar aquilo que são as necessidades de cada aluno? Numa turma de 20 ou 30 alunos, sabemos que cada um tem necessidades diferentes para o mesmo programa curricular. Não existia nenhuma ferramenta tecnológica que permitisse pegar na individualidade de cada aluno e gerar um sistema personalizado da experiência educativa”.
Foi nesse sentido que os irmãos lançaram, já este ano, o EDIS (Educational Development Intelligence System), um sistema inteligente de educação personalizada, “partindo exatamente do princípio de que os professores precisam de uma ferramenta que os ajude a identificar as lacunas de cada aluno e os ajude a orientar a sua ação no sentido de maximizar as suas aprendizagens”. À UNI2ALL Students junta-se, então, a UNI2ALL Tech. “O nosso sistema permite a partir daquilo que é a informação decorrente da experiência de utilização dos alunos identificar as suas necessidades individuais — seja no âmbito dos programas curriculares ou de aprendizagens essenciais — e depois, através de inteligência artificial, gerar recomendações ao professor sobre como individualizar a experiência educativa para aquele aluno individualmente”.
O processo de implementação em algumas escolas já está em andamento e o seu lançamento previsto para o começo do novo semestre, entre janeiro e fevereiro de 2022. Os irmãos reuniram-se com os quadros diretivos das escolas e apresentaram o sistema.. Até agora, os colégios privados são os clientes, até pela maior facilidade de implementação, mas o setor público — sob tutela do Ministério da Educação que define as aprendizagens essenciais e, portanto, mais “inatingível” — não é esquecido. Diogo sublinha, no entanto, a universalidade da ferramenta desenvolvida, por ser transversal aos setores e aponta a integração de sistemas informáticos como fator facilitador desta implementação por parte das escolas.