O aviso percorreu as redes sociais, na tarde de domingo, já três praias na zona de Tavira tinham sido interditadas. Durante cerca de uma hora, as autoridades fizeram buscas para tentar confirmar o que alegavam vários banhistas: haveria um tubarão demasiado perto da costa. Mas nada – e a proibição acabou por ser levantada.
“Poderá ter sido uma orca, já que houve outros relatos desse avistamento”, aventa Rui Andrade, comandante da capitania local, a recordar o caso dos cetáceos avistados dias antes, a três milhas da costa, atrás de cardumes de atuns.
Mas não será propriamente impossível distinguir um espécimen daqueles nas nossas águas. “As espécies mais comuns são o tubarão-azul ou tintureira e o tubarão-frade. A primeira come essencialmente cavalas e sardinhas, a segunda alimenta-se de plâncton. É bicheza que sempre houve e haverá na nossa costa”, comenta João Pedro Correia, doutorado no tema depois de investigar estes bichos desde há mais de 20 anos. “Só que os que se avistam por aqui são, na grande maioria, inofensivos”.
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Foto: Gonçalo Rosa da Silva
Já se fossem os que comem animais maiores, então, avisa aquele biólogo marinho, poderia haver risco. “Por exemplo, o tubarão-branco, que se alimenta de leões-marinhos, ou o tubarão-tigre, que procura tartarugas. E perigo porque podem confundir-se ao avistar um humano. Mas não há exemplares desses entre as cerca de 40 espécies que existem por cá”, remata o especialista – sem deixar de notar um outro fenómeno. “A nossa costa parece é estar cheia de telemóveis, que despejam notícias alarmistas nas redes sociais.”