> VISÃO: Como é liderar neste mundo de homens?
Sofia Tenreiro: É um mundo cada vez mais equilibrado e há toda a vantagem nisso: defendo a diversidade porque no meio é que está a virtude. A tecnologia, por si só, traz benefícios, mas é potenciada se for associada a um lado mais humano. Não é que sejam melhores ou piores, acho é que a existência de um mundo mais equilibrado é que é muito melhor do que um mundo desequilibrado.
> Que mais valia é que elas trazem às organizações?
A questão mais humana, precisamente.
Acho que os rapazes têm mais a perspetiva do beneficio direto da tecnologia. As raparigas, pela sua sensibilidade, pensam muito na abordagem mais macro. Têm um caráter humano um bocadinho mais apurado e acabam por trazer uma vivência diferente às organizações. Geralmente, somos mais pragmáticas, também porque ao juntarmos tantas vertentes na nossa vida o papel de profissional com o de mãe, e o de mulher essas exigências obrigam-nos a ser muito eficientes a gerir o nosso tempo.
> Rainhas do multitasking, não é?
[risos] Exato. Procuramos garantir que é tudo muito eficiente, para conseguirmos encaixar tudo.
> A Cisco, nos últimos anos, ganhou cinco vezes o prémio de melhor empresa para trabalhar. Qual a razão?
É uma empresa muito respeitadora das pessoas, do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Usamos a tecnologia para dar flexibilidade às pessoas para gerirem o seu dia-a-dia e é engraçado ver que isso é muito mais motivador e os resultados são muito melhores dando esta autonomia do que com culturas mais ditatoriais.
> Foi agora aprovada uma recomendação às empresas, para que promovam a igualdade.
Só por escrito é que se consegue esse compromisso?
O ideal era que não, e que as empresas avançassem por si. Mas as empresas são feitas de pessoas e há pessoas que, se calhar, acreditam mais nisto do que outras. É preciso relembrar as mais valias a quem não acredita, e isso geralmente acontece porque se foca em aspetos que podem parecer menos positivos.
> Qual é a equação da igualdade na Cisco?
Em Lisboa, estamos nos 50%, um resultado claramente superior ao do resto do mundo. Posso dizer que é um esforço a fazer continuamente: na captação, manutenção e inclusão das mulheres. Felizmente, nesse capítulo, a Cisco é super flexível.