A história tem todos os ingredientes para causar alvoroço: mistério, armas, gente rica caída em desgraça, jet-set de província e da capital, familiares de políticos, sexo em grupo com práticas sadomasoquistas, hotéis de cinco estrelas, potenciais pequenas e grandes vinganças. Quando, em janeiro deste ano, os jornais registaram o caso de um empresário de Famalicão acusado de violência doméstica sobre a sua mulher, nada fazia prever o que aí vinha. Agora, o envolvimento de José Castelo Branco atraiu os holofotes e o escândalo passa a ficar na história como mais uma prova da existência de um submundo por vezes difícil de imaginar.
E tudo começou com um saco abandonado. Sim, um saco! Foi, pelo menos, esta a mensagem que a polícia terá recebido, através de um telefonema anónimo: havia um saco abandonado, algures em Famalicão. Dentro dele estavam armas e um envelope em nome de uma empresa têxtil pertencente a João Pedro Ferreira. A empresa encontrava-se encerrada há uma boa dezena de anos, mas o dono, esse, estava vivinho da silva.
No âmbito deste achado, é realizada uma busca judicial à casa de João Ferreira, onde são encontradas armas, várias fotos e vídeos, feitos entre 2005 e 2009. E é então que começam os episódios bizarros e as bocas se abrem de espanto. Os filmes mostram cenas de sexo protagonizadas por João Ferreira, a sua mulher e – garantem fontes ligadas ao processo – figuras públicas, como José Castelo Branco, o conhecido marchand de joias, atualmente a viver entre Sintra e Nova Iorque.
Alguns dos filmes e fotos apresentam mesmo um conteúdo de práticas sadomasoquistas, incluindo duas fotos em que a mulher de João Ferreira aparece de olho negro, depois de ter levado uns socos.
Confrontada com estas provas, a mulher do empresário disse ser obrigada pelo marido a práticas desse teor e ter agido sob coação. Ao que estava para ser um processo de tráfico de armas, junta-se uma suspeita de violência doméstica.
Cenas sadomasoquistas
Não fosse esta acusação e talvez tudo tivesse continuado no segredo dos deuses. Foi para se defender do processo de violência doméstica que o arguido João Ferreira chamou para testemunhar três alegados participantes nas orgias: José Castelo Branco e a sua mulher, Betty Grafstein, e uma conhecida relações públicas do Porto. A polícia não conseguiu notificar os primeiros dois, mas a relações públicas já terá confirmado os factos e admitido a colaboração espontânea e de livre vontade da mulher de João Ferreira, negando, portanto, as acusações de violência doméstica.
A partir daqui, o caso virou escândalo e o processo judicial arrisca-se a ser ultrapassado pelo processo mediático. Terão sido filmados encontros em hotéis de cinco estrelas, no Algarve e em Cascais, para prática de sexo em grupo, sendo agora possível identificar várias pessoas, umas mais conhecidas do que outras. Garante uma fonte próxima do processo que as cenas sadomasoquistas apenas envolvem o casal Ferreira.
Para José Castelo Branco, que estreou esta semana uma rubrica de mudanças de visual no programa A Tarde É Sua, na TVI, este “é um filme de terror”. O facto de não ter chegado a depor no processo não o impede de fazer declarações na praça pública, embora se diga pronto para ir à PJ. “Não estou a fugir de ninguém”, garante. “Quero é ver com o meu advogado quem vou processar e como.”
À VISÃO, Castelo Branco repete estar chocado com o envolvimento do seu nome e o da mulher no caso, mas não nega as relações pessoais com o casal Ferreira. “Foi uma gente que eu conheci… Ele era irmão de uma amiga minha, eram meus fãs. Limitei-me a sugerir-lhes um makeover, que era o que eu fazia na altura, no [jornal] 24Horas. Indiquei-lhes uns cirurgiões amigos, porque ela precisava de umas maminhas novas e ele tinha uma barriga que parecia estar de 10 meses [de gravidez].”
Quando confrontado com o facto de o vídeo ter sido visto já por terceiros, Castelo Branco responde: “Viram? Big deal! Não sou eu, é impossível. Do pouco que convivi com essa gente, graças a Deus nunca estivemos sozinhos. Jantámos sempre com amigos. Aceitei uma vez um convite para ir à sua terrinha, mas o senhor nunca veio a minha casa, nem eu entrei na dele.”
José Castelo Branco terá vendido um anel a João Ferreira por 35 mil euros e um crucifixo de diamantes por mais de 10 mil euros. Mas diz hoje que cortou relações com o casal depois das cirurgias plásticas. “Quando o João me enviou uma mensagem com uma foto já sem barriga, em que se via a pila dele, pensei: ‘Isto é gente tarada!'”
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