O LHC começou a funcionar há cerca de seis meses, a 10 de Setembro, mas uma avaria ocorrida nove dias depois, provocada por uma ligação eléctrica defeituosa, forçou a paragem total da estrutura.
Ana Henriques, especialista em física de altas energias e responsável por um dos calorímetros do Grande Colisionador de Hadrões (LHC), disse, hoje, que a estrutura ficará a funcionar sem interrupções até ao Outono de 2010, tendo apenas uma breve paragem técnica durante as férias de Natal.
A falha provocou deteriorações mecânicas e uma fuga de hélio das massas frias do magnete, o que implicou uma prolongada reparação.
Essa situação foi agravada pelo tempo necessário ao reaquecimento do sector afectado do LHC, já que funciona a temperaturas de até dois graus Kelvin (-2711 C), e ao posterior arrefecimento, além de que toda a estrutura foi encerrada em Novembro, devido ao elevado custo da electricidade durante o Inverno, como explicou Ana Henriques.
O LHC é constituído por um túnel subterrâneo de 27 quilómetros em forma de anel, construído a 100 metros de profundidade, perto de Genebra, na Suíça, para criar condições à colisão de protões a uma velocidade próxima da luz.
O objectivo é simular os primeiros milésimos de segundo do Universo, há cerca de 13,7 mil milhões de anos, no que é considerada a maior experiência científica do século.
O novo calendário de funcionamento “permitirá recolher dados experimentais suficientes para efectuar as primeiras análises de nova física e a divulgação dos primeiros resultados em 2010”, indica um comunicado do CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), que admite a possibilidade de se produzirem também colisões de iões de chumbo em 2010.
Este planeamento representa um atraso de seis semanas em relação ao anterior, que previa o arrefecimento do LHC já no princípio de Julho.
Esse atraso fica a dever-se a vários factores, nomeadamente à instalação de um novo sistema de protecção reforçado e de novas válvulas para reduzir os danos secundários em caso de novos incidentes, à aplicação de medidas de segurança e a alterações de calendário causadas pela transferência e armazenamento de hélio.
No projecto participam investigadores portugueses, nomeadamente em duas experiências, ATLAS e CMS, sendo Ana Henriques responsável pelo calorímetro hadrónico de ATLAS (TILECAL), um dos sub-detectores do detector ATLAS.
Em várias fases da construção do LHC participaram várias empresas portuguesas, como o Instituto de Soldadura e Qualidade, o grupo Efacec, a A. Silva Matos Metalomecânica e a ACL – Indústria de Componentes.
A construção da estrutura prolongou-se por mais de doze anos, ao custo de 3,76 milhões de euros, e mobilizou milhares de físicos do mundo inteiro.
Portugal é membro do CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas) desde Abril de 1985.