Aquele momento seria de uma enorme tensão para qualquer líder partidário que ambicionasse uma vitória nas legislativas e que estivesse a ver-se comprimido perante uma tímida vantagem da AD e uma invulgar votação no Chega. Contudo, no último domingo, entre a sala onde estava um grupo de funcionários, que acompanhava a contagem dos votos, e outra mais ampla, onde se juntaram vários dirigentes socialistas, Pedro Nuno Santos “circulava e mostrava uma energia invulgar, de quem parecia que estava contente por não vencer, e estava entusiasmado, incentivava as pessoas, com frases do género ‘agora é que vamos começar a trabalhar a sério’”. Era este cenário, descrito por quem ali estava, que António Costa acabaria por encontrar no Altis Grand Hotel, em Lisboa, onde mais uma vez funcionou o quartel-general do PS numas eleições. E, num momento em que o primeiro-ministro demissionário admitia aos jornalistas que ainda nada estava perdido e que se assumia como “responsável” pelo desaire eleitoral que se desenhava então, já o secretário-geral do PS delineava com o núcleo duro uma estratégia que anunciou quase à meia-noite e meia, do dia 11, numa declaração em que não mencionou o antecessor: aceitar a derrota, liderar a oposição e renovar o partido.
Na base da decisão de Pedro Nuno terá estado a opinião de que não valeria a pena fazer contas aos votos dos círculos da emigração, cujos resultados só serão conhecidos na próxima semana, tendo em conta que a convicção é de que, dos quatro lugares em jogo, a AD poderá conquistar duas cadeiras [por ter apostado em “figuras com prestígio junto das comunidades”, José Cesário e Carlos Gonçalves] e o Chega outra. “Só com muita sorte, Augusto Santos Silva poderá ser eleito”, acredita um dirigente do partido. Por isso, frisa o mesmo socialista, “o Pedro fez a leitura correta e decidiu encerrar as coisas naquela noite”.
