Sem pressa, a aproximação a Marvão faz-se pela EN 246-1, a estrada que liga Castelo de Vide à vila raiana. Já perto do final, a famosa alameda de freixos forma um túnel verde que parece esconder a paisagem envolvente. Mas basta a copa das árvores abrir ligeiramente para que, ao longe, a fortaleza se revele no topo de uma imponente fraga granítica, a quase 900 metros de altitude. Vista dali, percebe-se imediatamente a razão por que aquele foi o lugar escolhido, há mais de 11 séculos, por Ibn Maruane para erguer um refúgio que viria a transformar-se numa das mais extraordinárias vilas fortificadas da Península Ibérica.
É no interior das muralhas que se encontra o Marvão Hotel Museu. Instalado no histórico Edifício da Janela Manuelina, cuidadosamente recuperado após mais de duas décadas de abandono, o pequeno hotel, de apenas 12 quartos, encaixa-se naturalmente no tecido urbano da vila, como se sempre tivesse feito parte dele. O conforto contemporâneo convive com paredes de granito, elementos arquitetónicos preservados e uma invulgar preocupação com a acessibilidade, demonstrando que é possível adaptar um edifício histórico às exigências atuais sem descaracterizar a sua identidade.