O ano letivo chegou ao fim com alunos ainda sem professor. Por mais que os pré-requisitos para ensinar uma turma tenham vindo a diminuir (o Governo já contratou licenciados pós-Bolonha e despenalizou docentes com horário incompleto), as contas ficam sempre aquém das necessidades da escola pública. Não há professores suficientes no País, a classe está envelhecida, os pedidos de reforma vão continuar a bater recordes até 2030 e, com milhares de profissionais de baixa médica (muitos por burnout) ou em greve todos os dias, denunciando as condições insatisfatórias de uma vida ligada à educação, quem se atreve ainda a sonhar em ser professor?
Na altura em que o esforço para recuperar as aprendizagens que ficaram por fazer durante a pandemia deveria ser maior, a educação vê-se a braços com um desafio que mancha as conquistas da última década. A taxa de abandono escolar precoce caiu de 23% (2011) para 6% (2022), de acordo com a OCDE; a taxa de conclusão do secundário, no mesmo período, passou de 56% para 83,3%, e 44,4% dos estudantes seguiram para a universidade (em 2011, só 27,5% o fizeram). Todavia, ir à escola, neste ano, nem sempre foi sinónimo de ter aulas.
