Andei seis anos a fazer o diagnóstico”, comenta António Marinho e Pinto, o truculento ex-bastonário da Ordem dos Advogados. Os dois mandatos em que ocupou o cargo permitiram-lhe, ao que diz, denunciar todos ou, pelo menos, muitos dos males da sociedade portuguesa, para concluir hoje que quase nada mudou: “O bastonário não tem poder”.
Por isso se propõe, no próximo dia 5, apresentar a declaração de princípios de uma nova força política, o Partido Democrático Republicano (PDR). Os seus anos como bastonário serão provavelmente responsáveis por que não tenha adotado na íntegra o lema da Revolução Francesa. Se os franceses propunham bater-se por Liberdade, Igualdade, Fraternidade, ele preferiu Liberdade, Justiça, Solidariedade. E, por agora, não há outros valores em que ele aceite “encaixar” o seu partido.
Aliás, Marinho e Pinto, recusa a tal ponto definir o posicionamento ideológico do PDR em função dos partidos existentes, que diz ser-lhe totalmente indiferente o lugar que venham a ocupar no hemiciclo os seus deputados, se conseguir elegê-los: “Tanto me dá que nos sentem na extrema-esquerda, como na extrema-direita”.
Em contrapartida, em termos de coligações parece ter opções bem definidas, se os eventuais deputados do PDR vierem a ser necessários à força política vencedora. “Aceito coligações com o PS, o PSD ou o PCP, que são as três principais forças políticas da democracia portuguesa”. Se socialistas e sociais-democratas têm sido invariavelmente os vencedores, já o PCP é, para Marinho e Pinto “a grande referência histórica na luta contra a ditadura”.
Não à redução de deputados
Aliás, o ex-bastonário pertenceu na juventude à União da Juventude Comunista (UEC), de que se desligou em 1973. E, desde então, garante não ter tido outra ligação partidária. Hoje é contra a recente proposta de António José Seguro de reduzir o número de deputados. Mas defende a reforma da lei eleitoral, de modo a que metade dos representantes sejam escolhidos por círculos uninominais.
Já quanto ao eleitorado que procura, o PDR irá à caça dos “voto dos insatisfeitos”. Ou, dito de outra forma, “quem está satisfeito com os partidos que existem, que continue a votar neles”. Para já, conseguiu chamar para o ajudar dois insatisfeitos, um ex-PS e outro ex-PSD, Eurico de Figueiredo e Fernando Condesso