Volodymyr Zelensky sempre quis ser ator. Desde miúdo que gostava de fazer palhaçadas e, no final da adolescência, deixou-se deslumbrar pela trupe britânica dos Monty Python. O pai, professor de Ciências (outrora chamadas) Cibernéticas, e a mãe, engenheira, tinham esperança de que ele ganhasse juízo e viesse, um dia, a ter uma profissão incompatível com as artes de palco. Após completar o Secundário com excelentes notas – excetuando as disciplinas de Educação Física e Língua Ucraniana –, o aluno extrovertido aceitou inscrever-se no curso de Direito. Em 2000, conquistou o almejado canudo, mas, nesse ano, era já uma vedeta nacional nos concursos de stand-up comedy e nos espetáculos de variedades.

O enorme traquejo de Volodymyr Zelensky como ator, produtor e guionista permitiu-lhe chegar à Presidência da República em maio de 2019, sem necessidade de apresentar programa político, fazer comícios ou participar em debates televisivos. Para se instalar no palácio Mariinsky de Kiev, sede oficial do chefe de Estado ucraniano, bastou-lhe apostar nas redes sociais e fazer de conta de que era ainda Vasyl Goloborodko, a personagem por ele criada quatro anos antes, na série O Servo do Povo: um professor do Ensino Secundário que, indignado com as corruptas elites políticas, acaba por tornar-se Presidente, de forma acidental, e se comporta como um justiceiro.