Mais de 60 dias depois dos primeiros ataques, mais de 20 depois do acordo de cessar-fogo, entre ameaças de que “muitas bombas começarão a explodir” e extensões da trégua anunciadas in extremis, os iranianos vivem um novo estado de incerteza e insegurança. Não é só a sombra do regresso da guerra, é o aumento brutal do número de execuções de prisioneiros, a inflação galopante, o bloqueio digital e os empregos que este destrói a cada dia; é a angústia de temer – ou saber – que esta agressão externa deitou a perder anos e anos de luta por uma vida melhor e mais livre.
“Não há bombas nem mísseis em ação, mas há indecisão e preocupação, um amanhã incerto, uma economia devastada, inflação e desemprego, o apagão de internet… As pessoas estão em ruínas, a vida não flui e não há nenhum horizonte claro nem a léguas de distância”, descreve na rede X Hamidreza Yousefi, investigador independente na área das Ciências Sociais.