No final do ano passado, as nuvens eram negras e pesadas nos corredores do poder em Copenhaga. Os sociais-democratas de Mette Frederiksen agonizavam nas sondagens e tinham acabado de sofrer uma pesada derrota nas eleições locais e regionais de novembro. O receio de um novo desaire, desta vez nas legislativas de 2026, era palpável. Parecia impossível inverter o destino, mas a política é pródiga em reviravoltas.
Nos primeiros dias do ano, Donald Trump, o Presidente norte-americano, voltou a colocar a Gronelândia na agenda internacional, reafirmando o seu desejo de tomar posse do território autónomo da Dinamarca. Frederiksen arregaçou as mangas, pôs os cotovelos em cima da mesa para um braço de ferro com o líder dos EUA e entrou no ringue da diplomacia musculada. Os dinamarqueses gostaram da resposta da chefe de governo e isso passou a refletir-se nas intenções de voto. O vento tinha mudado para os sociais-democratas e era preciso não deixar passar a oportunidade.

