Enquanto em campo há uma guerra armada, nas redes sociais há uma batalha pela informação e pela influência da opinião pública. O site “Politico” analisa a estratégia que Israel colocou em ação nas redes sociais como forma de garantir apoiantes em países ocidentais na guerra contra o Hamas. Segundo dados recolhidos por este órgão de informação sediado em Bruxelas e com escritórios em Londres, Paris e Berlim, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita será o responsável por esta suposta estratégia de comunicação. O objetivo será publicar conteúdos patrocinados que demonstrem a violência contra Israel ou possuam imagens mais emotivas.
O recurso às redes sociais na difusão de informação é uma tendência crescente entre os governos de todo o mundo como forma de influenciar a opinião pública. E se as campanhas de relações públicas e de propaganda não são assuntos novos, o mesmo não se pode dizer sobre o uso de conteúdos pagos para se dirigirem a públicos específicos com certos dados demográficos ou de determinados países, como parece estar agora a acontecer.
Desde dia 12 de outubro que estas campanhas terão começado a surgir na rede social X, antigo Twitter. Tudo indica que no espaço de uma semana, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel pagou por 30 anúncios no X que foram vistos mais de 4 milhões de vezes, dizem os dados da plataforma, numa audiência composta por adultos com mais de 25 anos residentes em Bruxelas, Paris, Munique e Haia. Os conteúdos comparam o Hamas ao Estado Islâmico (ISIS) e apresentam elementos gráficos violentos. “O mundo derrotou o ISIS. O mundo vai derrotar o Hamas”, lê-se nestes conteúdos.
No YouTube, nota o site “Político”, estão registados 75 anúncios que começaram a ser divulgados no dia 7 e estão direcionados a residentes de países ocidentais como os EUA, Alemanha, França e Reino Unido. Também apresentam elementos violentos e mensagens que apelam à compaixão.
O “Politico” tentou falar com as redes sociais sobre a política para os anúncios pagos e os tipos de conteúdos que podem ou não ser publicados na União Europeia devido ao Digital Services Act (DSA), mas sem sucesso. Recorde que o DSA tem o objetivo de fazer com que os espaços digitais sejam seguros e respeitem os direitos fundamentais de todos os utilizadores.
Thierry Breton, comissário europeu responsável pela aplicação do DSA, pediu às plataformas online para respeitarem estas regras e intensificarem os seus esforços na proteção dos mais jovens a conteúdos nocivos.