A mudança da palavra utilizada nos manuais, referente ao tempo em que o Chile foi governado por Augusto Pinochet, faz parte de um plano de revisão curricular discutido há um mês pelo Conselho Nacional de Educação do Chile.
Harald Beyer, ministro da educação Chilena, anunciou que a mudança de “ditadura” para “regime militar” vai de encontro a uma “uniformização da linguagem”. Apesar disso, o membro do governo não teve problemas em admitir que, para ele, “o governo de Pinochet era ditatorial”.
As palavras Beyer, proferidas com o intento de minimizar a polémica, não surtiram efeito. A oposição Chilena contestou a decisão do presidente Sebastian Piñera e fala mesmo em “branqueamento da história”.
Eduardo Frei, presidente do senado Chileno, terá dito que “as ditaduras não têm apelido”. Já Grabiel Silber, deputado da oposição, afirmou que “não podem existir duas leituras da história. Em declarações de Isabel Allende, filha do ex-presidente Salvador Allende, considerou a substituição da palavra “escandalosa”.
A decisão tomada por Sebastian Piñera, primeiro líder oriundo da direita depois do regime de Pinochet, poderá aumentar a impopularidade do governo que conduz.
A polémica que a medida gerou granjeou mais enfoque depois de alguns membros do partido do Presidente terem mostrado desacordo com a decisão. Manuel José Ossandón, deputado do partido “Renovação Nacional”, terá declarado que “se o pai tivesse sido detido ou tivesse desaparecido, levaria a mudança como um insulto”.
O regime liderado por Augusto Pinochet vigorou no Chile de 1973 a 1990. Durante esse período de tempo calcula-se que 3 mil pessoas tenham morrido ou desaparecido e que 30 mil tenham sido torturadas.