“Sinto a obrigação de vos dizer, antes de mais, que, embora estas histórias levem o meu nome, foram escritas, como dizer?, contra a minha vontade. Sim, é verdade”. É desta forma que Álvaro Magalhães abre os Contos do Lápis Verde, no qual o escritor se assume como um inventor de palavras. E, continua ele, “quem as escreveu foi um lápis verde que não sei como veio parar à minha mão”. Feito o esclarecimento, convém acrescentar que no palco do Teatro da Vilarinha, a partir deste sábado, 12, excecionalmente às 21h30, e até 17 de abril, aos sábados e domingos (às 16h), o encenador João Luiz sublinha um trajeto imaginário através de quatro histórias diferentes e uma poesia de Álvaro Magalhães. Assumindo o papel de narradora, a solo, a atriz Anabela Nóbrega conta peripécias e dá vida a várias personagens, neste espetáculo para maiores de 6 anos.
Situações absurdas, ecos de palavras incomuns a provocar estranheza, surpresas e desfechos imprevisíveis fazem parte deste trajeto imaginário e de final inesperado. Se tivermos em consideração o aviso inicial de Álvaro Magalhães será mais fácil explicar o desenrolar das histórias que obedecem apenas e só à vontade do seu lápis verde. E, se de princípio isso irritava o escritor, que até mudava de cor, agora limita-se a afiar o lápis e a deixar-se ir.
Contos do Lápis Verde > Teatro da Vilarinha, R. da Vilarinha, 1386, Porto > T. 22 610 8924 > 12 mar, sáb 21h30; 13-20 mar, 2-17 abr, sáb-dom 16h > €3,40 a €7,50