Como serão as cidades do futuro? “Como as do passado”, responde Miguel Pinto Luz.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais acredita que as cidades são “o modelo mais resiliente” e têm uma “enorme capacidade de se adaptar” às mudanças sociais. Por isto, Pinto Luz antevê que “as do futuro vão recuar quase dois mil anos e transformar-se em cidades-estado”, substituindo-se aos governos centrais e até ao executivo europeu em várias áreas, como a saúde, a educação ou a mobilidade.
Numa intervenção durante o VISÃO Fest, a decorrer este fim-de-semana no Planetário de Marinha, em Lisboa, o ainda vice-presidente do PSD definiu três grandes desafios para melhorar a eficácia das cidades portuguesas: o ordenamento do território (“As cidades são muito pequenas e espartilhadas”); a densidade populacional e a capacidade de financiamento.

Sem estas três caraterísticas, Miguel Pinto Luz considera difícil uma cidade explorar totalmente o seu potencial e “garantir que cada um implemente os seus projetos de felicidade”. “Não é possível que uma cidade sem densidade populacional garanta o retorno dos investimentos nos serviços públicos”, explica.
Numa perspetiva histórica, o autarca recorda também que, independentemente dos tempos, o modelo da cidade sobreviveu sempre “a quedas de impérios, governos, pandemias, guerras” e provou ser o mais atrativo devido à proximidade com os cidadãos. Valendo-se desta ideia para argumentar que uma “cidade do futuro não tem necessariamente de ser toda tecnológica” – haverá até algumas onde não fará sentido falar em tecnologia, ressalvou, apresentando o exemplo de Penela. “As cidades romanas já eram inteligentes quando inventaram os novos sistemas de esgotos”, continuou.
As cidades do futuro têm sim de trabalhar no sentido de se tornarem cada vez mais eficientes. Ou seja, com serviços de qualidade, que sirvam as necessidades dos cidadãos.
