Faça chuva ou faça sol, a fila à porta da Livraria Lello não desaparece, esticando-se pela Rua das Carmelitas abaixo, desde há uns meses fechada ao trânsito acautelando-se a segurança. Quem chega, atraído pelas obrigatórias referências nos guias turísticos ou na Imprensa internacional, sabe o que tem à espera. “Já vinha preparada para a confusão”, diz Maria da Glória, de Belo Horizonte, a fazer a sua segunda visita ao Porto. “Fiquei encantada. É tudo muito lindo e colorido”, elogia, no doce sotaque brasileiro, indiferente ao tempo de espera, ao controlo das mochilas, à multidão no interior ou às imparáveis selfies. Na mão, leva um livro infantil sobre a história da livraria e um exemplar d’Os Lusíadas, para sortear entre os amigos do clube de leitura a que pertence.
Para chegar ao piso superior, é preciso interromper, por várias vezes, o passo na famosa escadaria carmim e ser paciente com o tráfego de turistas, em disparos fotográficos constantes. Na Sala Gemma, mais reservada, com as portadas de vidro a permitirem uma vista ampla para os belíssimos pormenores arquitetónicos da livraria, aguarda-nos Aurora Pinto, administradora e mulher de um dos sócios maioritários da Lello, o investidor imobiliário Avelino Pedro Pinto (com 51% da sociedade; os restantes 49% pertencem a José Manuel Lello, bisneto de um dos fundadores). Quando entraram na sociedade, em 2015, uma das primeiras medidas que implementaram foi a cobrança da entrada – que atualmente é de €5, um valor dedutível na compra de livros. “As pessoas vinham, tiravam fotos e iam embora… Com o voucher, pretendíamos que nos vissem não só como uma joia mas também como uma livraria. E queríamos regular o fluxo. Na verdade, trouxe mais gente…”, admite a administradora.
CLIQUE EM BAIXO PARA LER A REPORTAGEM NA VERSÃO ORIGINAL