01 – Espírito – Conseguimos sair de St.Catarina, depois da paz em que vivemos durante 5 noites, entre os empregados do campo e os estrangeiros que iam chegando e partindo, alguns com mais tempo para partilhar do que outros. No nosso trajeto para Nuweiba, encontrámos este casal francês na casa dos 50’s que tinham saído de casa há 5 meses e, quase a terminar a viagem, cruzaram-se connosco! Apesar de estarmos já na 2ª aventura, eles tinham uma paz, uma confiança e um espírito que nos deixou invejosos! A imagem transmite tudo o que é o cicloturismo!
02 – Um longo caminho – O sol acompanhava os nossos dias. Tínhamos à nossa frente longas estradas sem fim, para percorrer. A saída de St. Catarina mostrou-se mais sinuosa do que o caminho para lá chegar e, por essa mesma razão, muito mais bonito! As montanhas com tons mais escuros deram lugar a montanhas mais claras, algumas avermelhadas. A paz continuava. O silêncio!
03 – 2numundo – Deixámos o receio de lado e decidimos passar uma noite no deserto. O que mais nos preocupava também, era sermos “descobertos” por locais e assim sendo, a nossa privacidade acabaria ali! Porém, o silêncio esteve sempre presente e tínhamos a areia só para nós. Antes da noite cair, acendemos uma fogueira mas esta aqueceu-nos durante pouco tempo. Não podíamos deixar aquele lugar sem uma marca nossa, sem a nossa assinatura, tendo sido uma noite tão especial.
04 – Nuweiba – Estranho sítio este… Local de férias durante os anos 80 e 90 para os israelitas, viu o turismo desaparecer repentinamente e viu fechar grande parte dos campings e hotéis ao longo de quilómetros. Abandonados, o ar decadente da “marginal” é impressionante. Nos ainda existentes, são poucos os turistas, sendo por isso um sítio ideal para descansar, longe da confusão e com os pés metidos na água!
05 – Ferry –O ferry estava marcado para o meio dia, mas apenas às 13h entrámos e às 17 ele arrancou! Às 22h chegámos esfomeados a Aqaba. Deixámos o Egito onde passámos grandes momentos. Nunca olhar para traz numa despedida! A Jordânia esperava-nos e era nisso que tínhamos de pensar. Sabemos que voltaremos ao Egito, pois disseram-nos que se bebemos a água desse país, o regresso estava garantido. Queremos acreditar nisso para voltar e ver um Egito livre!
06 – Aqaba – A nossa primeira cidade na Jordânia, mostrou-se bastante diferente daquilo que estávamos habituados. Mesmo sendo janeiro, a praia estava cheia. As mulheres sentadas na areia, fumavam shisha, enquanto que os homens mergulham na água azul turquesa. Tudo limpo, organizado, muito menos stressante e com uma visão sobre a religião muito mais relaxada! Uma mudança saudável!
07 – 4000 kms – Os quilómetros vão sendo somados e os 4 mil foram festejados debaixo de muito calor. As longas estradas da Jordânia começaram a mostrar-se difíceis, com as suas subidas a serpentear as montanhas embora sendo ao longo dessas mesmas estradas que nos fazem sinal para pararmos, uma e outra vez, para bebermos chá. A hospitalidade das pessoas é de ficar sem palavras!
08 – Wadi Rum – Aquilo que estava coberto de água há muitos milhares de anos, é hoje um dos desertos mais secos do país embora, digam, por baixo se encontre a maior reserva de água da Jordânia. A julgar pelas nascentes nas rochas, é fácil de acreditar. A beleza neste sítio não tem limites, desde as montanhas que nascem das areias vermelhas, aos arcos formados pela erosão, de onde esvoaça a areia mais branca que já vimos até hoje! À noite, o céu é gigante!
09 – Kings Highway – A tão mítica estrada para o mundo do cicloturismo, estava à nossa frente! Os reis caminharam nela desafiando e combatendo outros reis e nós pedalamos nela lutando contra as subidas. Somos, porém, obrigados a parar vezes sem conta para registar para sempre a visão que temos ou da paisagem ou das estradas que a rasgam! Apesar de tudo, as maiores emoções ficam cá dentro, onde só nós, por a termos percorrido, conseguimos aceder!
10 – Pequena Petra – Pequena Petra ou Petra dos Pobres, como lhe chamámos por a entrada ser gratuita. Pode ser uma pequena amostra do que é a principal mas é grande suficiente para nos deixar de boca aberta. Soubemos que de lá, podemos caminhar até Petra, entrando assim gratuitamente mas sempre com o risco de sermos apanhados. Sentimo-nos pequenos no meio de toda a história que cada buraco escavado na pedra, tem. Há escadas que ainda sobrevivem e que nos levam aos topos das rochas, fazendo-nos sentir verdadeiros alpinistas. Sabe bem chegar com tempo e ficar a observar todo aquele trabalho grandioso.
11 – Mosteiro em Petra – O Mosteiro de Petra surpreende pela sua grandiosidade e bom estado. Para lá chegar, é necessário subir e caminhar bastante embora a recompensa seja a maior! Só nos vem à cabeça: “como foi possível construírem tudo isto?” e logo desconfiamos de seres extraterrestres! Respira-se história e ficamos sem palavras. Poucos metros à frente, uma placa indica “Visão do fim do Mundo” e é quando lá chegamos e olhamos o fim das montanhas e o infindável deserto de Wadi Araba que imaginamos que pode ser mesmo assim.
12 – Petra – Os preços de Petra já aumentaram para 50 Dinares e daqui a 3 meses, voltam a aumentar. Petra está a transformar-se para turismo rico, pois em 2012 o preço será superior a 100 dinares, mais do que 110 euros. É pena ficar longe da possibilidade de muitas pessoas pois é um sítio obrigatório! A nossa cabeça está sempre em movimento para tudo captar e a tentar imaginar como seria quando os Nabateans lá viviam. Ficamos arrepiados com a grandeza do seu interior e com a entrada pela grande garganta natural rasgada na rocha e que acaba numa das maiores atrações do local: o Tesouro!
13 – Cave – Em Petra ficámos na aldeia dos beduínos mas as noites eram passadas numa cave, bem longe de tudo. Tínhamos a natureza toda para nós. O jantar era feito na fogueira e essa servia também para nos aquecer. O céu tinha outra dimensão! Foi com esse contacto com a natureza que aprendemos a fazer pão por baixo das cinzas e alguns pratos típicos dos beduínos Sentimo-nos privilegiados ao saber que estávamos a dormir numa cave esculpida há mais de 2000 anos!
14 – Bedour – Conhecemos a Bedour na aldeia dos beduínos em Petra. A sua simpatia atraiu-nos e fez-nos aceitar o convite de conhecer a sua casa e a sua família. Visitá-la passou a fazer parte da nossa rotina. Fizeram-nos sentir parte daquela numerosa, barulhenta e querida família mas foi esta menina de 11 anos, com o seu sorriso do tamanho do mundo e olhos pintados de negro, que nos deu vontade de aparecer, para mais um chá, um dia a seguir ao outro!
15 – Wadi Araba – Estávamos felizes por aquela estrada ser na direção descendente e não o contrário. O alcatrão esse, era inexistente mas a chuva, essa, caía com alguma força. A descida foi feita muito lentamente devido ao mau estado da estrada mas isso não foi um problema para nós. Aproveitámos para parar, admirar e descansar as mãos de tanto travar. É quando olhamos para estas estradas que nos sentimos uns verdadeiros ciclo turistas! O que víamos nos livros e nas fotografias dos outros, está agora à nossa frente e isso deixa-nos felizes.
16 – Mar Morto – O Mar Morto esteve mesmo ao nosso lado e foi uma pena não termos boiado nele. É obrigatório passarmos o corpo por água doce depois de nos molharmos nele e foi por causa disso que não aproveitámos a oportunidade. Aparte disso, é um imenso lago salgado como qualquer outro em qualquer parte do mundo e só o facto de podermos dizer “já estive no Mar Morto” pode fazer alguém descer aos 400 metros abaixo do nível do mar para o ver.