Ainda não fez um mês que a livraria Re-Read está a funcionar e já há quem passe todos os dias, incluindo vizinhos, para ver as novidades. Desde que a Pastelaria Suprema encerrou, em 2016, na Avenida de Roma, que esta morada não tinha inquilino, até que um cartaz afixado na montra anunciou a novidade.
Em vez de bolos, há agora milhares de livros em segunda mão, em muito bom estado, à espera de novos leitores. “No dia da abertura, 25 de novembro, havia uma fila de gente à espera que abríssemos”, conta Inês Toscano, responsável pela estreia da cadeia espanhola de livrarias low-cost em Portugal.
Esta é a primeira morada da cadeia espanhola de livrarias low-cost em Portugal
Depois de 17 anos a trabalhar como diretora financeira, foi no bairro de Alvalade que encontrou o lugar certo para o projeto que vem ao encontro do seu gosto pela leitura e pelos livros, realizando o sonho de menina de ter uma livraria. “Achei a ideia muito interessante. Convida as pessoas a pegar nos livros esquecidos, parados e empoeirados das suas estantes e a dar-lhes nova vida, novos leitores. Ajuda a mudar hábitos de consumo, através da reutilização, assim como torna os livros e a leitura mais acessíveis a todos, é quase como uma missão”, diz Inês.
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Luminosa, com uma montra envidraçada e estantes brancas, começou com 7 mil livros em stock, de todos os géneros. Narrativa, romance histórico, ciências, todos os temas têm espaço na Re-Read, onde a oferta também inclui edições em língua estrangeira, como o espanhol ou o alemão. Há ainda um cantinho para os leitores mais novos, com mesa e cadeiras junto às estantes da banda desenhada, manga e literatura infantojuvenil.
Narrativa, romance histórico, ciências, todos os temas têm espaço na livraria
Um livro custa €4, dois custam €7, cinco custam €15 e, no máximo, o cliente só pode adquirir 10 livros por dia. Se vier vender, cada exemplar vale €0,25. A partir de 100, pode marcar uma visita da Re-Read ao domicílio. “Preferimos edições a partir dos anos 1990-2000, embora possamos estar interessados em clássicos, livros de História ou outros de anos anteriores. Não compramos enciclopédias, manuais escolares, revistas e livros em mau estado”, explica a responsável.
Os livros recém-chegados têm uma zona específica, ao cimo das escadas que dão acesso ao piso superior. O que é mesmo bom é vasculhar as prateleiras à procura de novas leituras, sem ser preciso esvaziar os bolsos.
Re-Read > Av. de Roma, 61 B, Lisboa > T. 91 995 3404 > seg-sáb 10h-19h
Os tempos são propícios ao pessimismo. Em especial quando o discurso público está dominado pelas indignações permanentes, as redes sociais ficaram cada vez mais transformadas em ringues de boxe – mas de rua, sem regras nem cavalheirismos – e os debates deixaram de ser centrados na realidade para se debruçarem sobre as perceções, em que apenas as negativas são valorizadas e dissecadas até muito para lá da exaustão.
O pessimismo é, ainda por cima, acentuado quando olhamos para o mundo e parece que o caos está instalado um pouco por todo o lado. Os sinais são evidentes: cresce o individualismo e perderam-se noções básicas de solidariedade. O humanismo ficou reservado para algumas raras ocasiões – mais para quando “fica bem” do que para quando seria necessário e até urgente.
Muita da raiva que tem sido canalizada para os partidos extremistas e radicais nasce precisamente deste desencanto latente que se vai manifestando entre quem considera que foi ficando para trás, com dificuldades no acesso à habitação, sem perspetivas de melhoria salarial e, pior do que tudo, com a sensação de que o seu papel na sociedade é menos valorizado e, por isso mesmo, mais dispensável.
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À custa de ouvirmos e lermos que “está tudo pior” e que “nada funciona”, vamos destruindo, aos poucos, o pilar essencial de qualquer sociedade: a confiança em nós próprios, enquanto comunidade. Não é por acaso que os inimigos da democracia e das liberdades são, precisamente, os que mais gostam de espalhar o caos e a desconfiança nos serviços e instituições que deveriam representar-nos e proteger-nos. Aproveitam todos os motivos para desmoralizar espíritos. E usam o pessimismo para destruir aquilo que, no fundo, sempre foi o motor do progresso: a esperança.
É nestes momentos de caos e de pessimistas encartados que se torna mais importante não perder a esperança. E acreditar que o futuro, como tantos exemplos do passado demonstraram, pertence aos otimistas, aos que acreditam no progresso, aos que não desistem de melhorar a vida e as sociedades.
Neste mundo cada vez mais habitado por líderes carrancudos e de ar zangado, em que o sorriso passou até a ser menosprezado por muitas máquinas de campanhas eleitorais, não podemos deixar-nos ceder pelo pessimismo.
Vários trabalhos científicos já identificaram uma relação direta entre o otimismo e a longevidade, por exemplo. Um estudo realizado, em 2019, com base em inquéritos feitos em 15 hospitais dos EUA, revelou que os indivíduos com níveis mais altos de otimismo tinham um risco 35% menor de sofrer de doenças cardiovasculares, bem como uma menor taxa de mortalidade. Por outro lado, outros estudos indicaram que as pessoas mais pessimistas tendem a ter hábitos de vida menos saudáveis e a importar-se menos com o seu bem-estar. Além de que o pessimismo patológico pode ser, muitas vezes, uma autoestrada para a depressão – um fator de risco também para as doenças cardiovasculares.
Da mesma maneira que as perceções erradas devem ser combatidas com factos, também o pessimismo só pode ser atenuado se, a cada motivo de desânimo, conseguirmos apresentar um dado ou uma realidade que incuta esperança. E é nesses momentos em que nos vemos rodeados de guerras, de convulsões e de incertezas, que devemos recordar-nos de que, apesar de tudo, o mundo está melhor do que tantas vezes nos parece ou é difundido pelos agentes do caos.
Mais do que nos concentrarmos nas perceções, temos de regressar ao tempo em que confiávamos, naturalmente, nos factos. E acreditar nos indicadores fornecidos pelas instituições válidas e de trabalho comprovado. Deixar de pensar que cada estudo ou estatística que contrarie a nossa perceção – própria ou induzida por outros – teve origem numa qualquer conspiração, de motivos ocultos. A realidade é bem mais transparente. E a verdade é que, por exemplo, apesar de todos os problemas nos serviços de saúde, a esperança média de vida continua a aumentar em Portugal, as vacinas reduziram a mortalidade infantil em 40% a nível mundial, nos últimos 40 anos, e que, nas décadas recentes, mais de 1,2 mil milhões de pessoas do planeta escaparam à pobreza extrema. E mesmo que ainda esteja muito por fazer no domínio das alterações climáticas, convém ter a noção de que, atualmente, por cada dólar investido em petróleo, gás e carvão, é gasto o dobro na produção de energias renováveis. O mundo precisa de mais otimismo.
Poucos episódios serviriam melhor como introito ao que vai ser o ano político de 2025 do que os da Rua do Benformoso e o da alteração da Lei de Bases da Saúde para impedir a utilização do SNS por quem não tem autorização de residência no nosso país.
Se a política fosse apenas um jogo, não haveria como não aplaudir a estratégia do Chega. Conseguiu que, no espaço público, dois assuntos – a segurança e a imigração – se impusessem a todos os outros e que o Governo os elegesse como os mais importantes.
Como a política tem, ou tem de ter, como primeiro guia o bem comum, não se pode elogiar quem consegue pôr um primeiro-ministro de um dos países mais seguros do mundo a fazer conferências de imprensa sobre segurança tendo ao seu lado todos os chefes das polícias.
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Como a política é a procura do melhor para a comunidade, não se podem tecer loas a quem convence um Governo a cometer um crime contra a mais básica humanidade, não permitindo gente que precisa de cuidados médicos de os obter. Pior, que homens e mulheres que pagam Segurança Social e que por culpa do Estado ainda não têm residência não tenham acesso a cuidados médicos.
E como a política não pode esquecer que é a busca permanente do melhor para a pólis, não se pode gabar um Governo que prefere, de facto, incentivar a imigração ilegal e causar danos às empresas acabando com o instituto de manifestação de interesse, alinhando na perceção plantada pelo Chega de que os imigrantes são uns malandros.
O Chega não precisou de ganhar as eleições para impor a sua agenda. Tenha sido por oportunismo ou por, afinal, convicção ideológica, o Governo está a tomar medidas que o Chega tomaria se estivesse no poder. E o mais relevante é basearem-se em temas que o próprio Governo sabe serem não temas, como é o caso da segurança, ou fazendo o oposto ao que o centro-direita clássico faria no tema da imigração.
Importa fazer um parêntesis neste tema. É evidente que o aumento exponencial de imigrantes num breve espaço de tempo levanta questões importantes. Mas o foco tem de ser descobrir soluções para melhor integrar gente de que precisamos e que, graças aos deuses, também precisa de nós. A resposta não pode ser limitar-lhes o acesso a cuidados de saúde, tratá-los como se fossem suspeitos de crimes só por terem uma cor diferente da maioria ou incentivar que se mantenham ilegais.
Sou sensível ao discurso de que não se deve deixar temas importantes para a comunidade entregues aos extremos. Não percebo, porém, do que se fala quando se diz isso e depois se reproduz por palavras e sobretudo atos o que a extrema-direita propagandeia.
E é aqui que chegamos a um ponto decisivo. O Chega já conseguiu mais do que pôr os seus temas no centro do debate político: a extrema-direita está a colonizar rapidamente o centro-direita. As reações ao caso da Rua do Benformoso são o retrato perfeito disso.
É impensável que um Governo formado por um partido com o património ideológico do PSD tenha patrocinado aquela ação. Ver um social-democrata relativizar a interferência do Governo em funções como a autonomia das forças de segurança é como ver um comunista a lutar pela economia de mercado.
Não só utilizou as polícias para fazer uma ação de marketing político (visibilidade, disse Montenegro), como a fez querendo mostrar que se estava a atacar a imigração e a de uma certa cor.
Não será a primeira vez, claro está, que um partido cai nas mãos de quem afinal não partilha os seus valores e o seu património ideológico. Das duas, uma: ou Montenegro é um puro pragmático (que não está a perceber o verdadeiro alcance das suas ações) ou então as linhas vermelhas em relação ao Chega, que não tinha nas eleições internas e que chegaram na campanha para as legislativas, foram um embuste.
O que foi demonstrativo da referida colonização foi terem sido apenas duas ou três vozes relevantes a terem denunciado a evidente quebra com o que devia ser a linha natural do partido – o único sinal positivo foi ter sido um ex-ministro e ex-candidato à liderança, Jorge Moreira da Silva, a fazê-lo. Assistir a pessoas que sempre estiveram no partido para o encostar a uma direita radical, como é o caso de Miguel Morgado, a fazer para o partido as despesas na defesa do indefensável disse tudo sobre aquilo em que o PSD está transformado: um clone sofrível do Chega.
Um social-democrata, um social-liberal, um democrata-cristão ou mesmo um conservador clássico fica sem espaço político que o represente. Aliás, um dos grandes eixos do combate político da extrema-direita é arrumar na esquerda toda a gente que não é a favor da sua linha. O grotesco é ver o PSD no poder a seguir também essa ideia.
Vamos ter eleições autárquicas, a conjuntura internacional vai deitar água na fervura da nossa euforia económica, mas o desaparecimento do centro-direita, que 2025 vai acentuar-se, irá alterar estruturalmente o equilíbrio político partidário e o próprio desenho da nossa democracia. Não será para melhor.
Dizem os especialistas do sono que, durante os sonhos, o olho humano, debaixo das pálpebras cerradas, está em movimento constante e veloz, “vendo” em loop as imagens que o subconsciente e, em certos casos, o ID (designação da psicanálise para o terceiro nível, o inconsciente, onde tudo nos é permitido…) projeta no período REM (rapid eye movement, na designação inglesa). Nesse momento, já próximo do regresso à vigília, o cérebro humano projeta esse “teleponto” a alta velocidade e, depois, ao acordarmos, permite que nos recordemos dos sonhos, pelo menos, de parte deles – esquecendo-os logo a seguir. Temos a impressão de que estivemos toda a noite a sonhar, vivemos verdadeiras longas-metragens –mas tudo se passou em escassos segundos. E daí que o olho se mova tão rapidamente… Talvez tenha sido esse o caso de Luís Montenegro, ao ler, no velocímetro… perdão, no teleponto, uma longa mensagem de Natal em que o objetivo era falar de tudo, a todos os eleitorados, de todas as coisas, e tudo enfiar em… cinco minutos de gravação. “O Rossio na Betesga”, diz o povo lisboeta. Ninguém fala àquela velocidade, nem quando está a ler. E o que o primeiro-ministro disse também será, em grande medida, parte de um sonho, no sentido freudiano em que um sonho é, sempre, a realização de um desejo. E o desejo, nesta “mensagem-REM” de Luís Montenegro foi o de descrever Portugal como “um referencial de estabilidade”.
Será agora essa a narrativa, cá dentro, para eleitorados que terão de se pronunciar, já neste próximo ano, em autárquicas (que serão difíceis para todos os partidos), e lá fora, para os mercados, sempre desconfiados das pequenas economias sujeitas às “constipações” das grandes, como é o caso português. Entre essas grandes, o chefe do Governo citou os casos de França e da Alemanha, por oposição ao “milagre português”, dependente do turismo e pouco mais, e que será desfeito assim que as famílias europeias tiverem de cortar nas férias.
Mas se a frente externa coloca problemas ao “referencial de estabilidade”, na frente interna, esse “referencial” equilibra-se em cima da corda bamba de uma maioria precária, obtida em coligação. Um “referencial” sujeito aos abanões de coligações negativas com a capacidade – e a vontade – de impor ao Governo medidas das quais discorda e impedindo-o de cumprir o seu programa, mau ou bom. Um “referencial” que dificilmente aprovará um segundo Orçamento, a não ser que as linhas vermelhas – que já começaram a cair, como veremos adiante, nas políticas securitárias – sejam substituídas por um “pedido de batatinhas” ao Chega, que venderá caro o seu “voto sim”. O seguro de vida de Luís Montenegro é a Constituição. E a sua longevidade é garantida, apenas, pela “secretaria”: somente por razões constitucionais o Governo não poderá cair antes do final do verão de 2026, mesmo que tenha de governar por duodécimos. A partir de meados de setembro, o Presidente da República perde o poder de dissolver a Assembleia e o próximo só poderá fazê-lo seis meses depois de tomar posse. Mas se este seguro de vida tiver de ser acionado, o “referencial de estabilidade” ficará assente na paz podre de um Governo que, sem ser ainda de gestão, estará já a prazo.
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É por isso que 2025 será tão decisivo para Montenegro. Ele já terá avisado, um a um, os ministros: agora já não há mais desculpas, nem mais PowerPoints a anunciar amanhãs que cantam. Agora, é preciso governar, agarrar os eleitores, mostrar serviço e ganhar as autárquicas. Se não, a oposição ganhará forças, argumentos e eleitores.
Pela cabeça do Governo terá passado, portanto, que já que não podemos vencê-los, juntamo-nos a eles (à direita radical e populista que nos – os – assedia todos os dias). Se não formalmente, ao menos, roubando-lhes as ideias. Não é crível, é claro, que tenha havido uma ordem direta do Ministério da Administração Interna para que se executasse o “arrastão policial” que varreu a zona do Martim Moniz. Nem essa ordem era necessária. No processo securitário de inspiração populista e guiado pelas perceções (“perceção” devia ser a palavra do ano…), foi suficiente criar um determinado ambiente para que as autoridades se sentissem respaldadas e agissem em conformidade. Entre outras peças táticas, destaque-se a famosa comunicação ao País que Montenegro escolheu fazer, em horário nobre (mas um pouco envergonhadamente, tendo em conta que o Benfica jogava para a Champions à mesma hora… ) e em que falou das instruções do Governo para que a segurança fosse garantida “num dos países mais seguros do mundo, mas onde não podemos dormir à sombra da bananeira”. Na altura, pareceu inusitado tanto suspense para tão banal declaração. Mas, agora, percebe-se tudo.
Poucas semanas antes, o Chega tinha feito, naquele mesmo local, uma manifestação contra a imigração alegadamente “descontrolada”. Aquele era, portanto, um local politicamente sensível, onde qualquer demonstração policial de força exigiria uma consulta à tutela – que ninguém acredita que não tivesse sido feita. A imagem que ficaria, ou corria o risco de ficar, é que André Ventura tinha passado a bola e a polícia, sem a deixar cair no chão, tinha-a rematado para golo.
Isto aconteceu, note-se bem, numa zona da cidade de Lisboa que, não obstante as ocorrências de índole criminal, é hoje mais segura do que em qualquer época, nos últimos 40 anos. Basta comparar o Intendente de há 15 anos com o Intendente de hoje… A polícia não encostou à parede suspeitos de delinquência, residentes num bairro problemático, mas pessoas insuspeitas de qualquer crime, numa zona não problemática, povoada por imigrantes trabalhadores. Os resultados da operação, a apreensão de pouco mais do que um canivete, falam por si. E não se comparam com as apreensões de droga e armas brancas que uma operação similar poderia garantir, caso os alvos fossem, por exemplo, algumas claques de futebol. Claro que é muito mais fácil encostar à parede cidadãos indefesos do que elementos das claques, pelo menos, em tão grande número e ao mesmo tempo…
Os sinais de instabilidade política e social, no País “referencial de estabilidade”, acumulam-se, portanto, nas ruas, no SNS e no Parlamento. E esses sinais não deixarão de ter consequências na mensagem dos candidatos presidenciais, a começar pelo almirante Gouveia e Melo. O “herói” da vacinação anti-Covid perfila-se num tempo em que os assuntos da Defesa exigem, na Europa, uma nova atenção. O seu know-how, nessa matéria, pode ser por ele invocado, e é seguro que vai alegar, face às circunstâncias da geopolítica internacional, ser o candidato certo no momento certo. Mas não é por aí que Gouveia e Melo segue à frente, nas sondagens. O que um certo eleitorado ultramontano e antissistémico espera dele é um discurso naturalmente suprapartidário e, se necessário, antipartidário. O fenómeno não é novo: Fernando Nobre conseguiu um resultado razoável com esse discurso. Antes dele, Otelo teve o voto populista do povo de esquerda, em 1976. Depois dele, o próprio Manuel Alegre obteve um milhão de votos por ir contra o sistema – e muitos vieram de uma certa direita marialvista que não gostava das origens populares de Cavaco. No entanto, esta seria a primeira vez que um candidato ganharia sem ter uma máquina partidária por detrás. Marcelo viveu bem, em 2016, sem a máquina partidária do PSD, mesmo estando ela à sua disposição. Mas Marcelo, que terá cumprido todos os seus sonhos, dorme pouco. E o seu REM está sempre ligado.
Polónia assume a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, dia 1
Salário mínimo nacional atualizado para €870 (+€50)
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Estreia-se o filme Ainda Estou Aqui, do realizador Walter Salles, sobre a ditadura militar no Brasil, dia 16
82.ª gala dos Globos de Ouro, em Beverly Hills, EUA, dia 5
Começa o Ano da Serpente na China, dia 29
Tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos EUA, dia 20
FEVEREIRO
67.ª edição dos Prémios Grammy, em Los Angeles, EUA, dia 2
Eleições legislativas na Alemanha, dia 23
Espetáculo de Ricky Gervais na Meo Arena, Lisboa, dia 27
Algures durante este mês, é esperado o regresso à Terra dos astronautas da NASA Suni Williams e Butch Wilmore, retidos desde junho na Estação Espacial Internacional, quando era suposto ficarem pouco mais de uma semana
MARÇO
97.ª Cerimónia dos Oscars, em Los Angeles, EUA, apresentada por Conan O’Brien, dia 2
Eclipse lunar, dia 14
Arranca o Mundial de Fórmula 1, com o Grande Prémio da Austrália, que vai assinalar a estreia de Lewis Hamilton na Ferrari, dia 16
3.ª etapa da Liga Mundial de Surf, em Peniche, de 15 a 25
Eleições para a presidência do Comité Olímpico de Portugal, dia 19
ABRIL
Primeira exposição individual de Jeff Wall em Portugal, no MAAT, em Lisboa (dias a anunciar)
Lenny Kravitz, na Meo Arena, Lisboa, dia 8
Exposição Mundial em Osaka, no Japão. Portugal é um dos 161 países participantes, de 13 de abril a 13 de outubro
Estreia do documentário Secrets of the Penguins, da National Geographic, dia 15. Pela primeira vez, os especialistas filmaram, recorrendo a drones e a tecnologia de ponta, as crias de pinguim-imperador a saltar de um penhasco com 15 metros, na Antártida
MAIO
Concerto de Rod Stewart na MEO Arena, Lisboa, dia 13
Eleições presidenciais na Polónia, dia 4, dia 11 ou dia 18
Tom Cruise regressa às salas de cinema com Missão Impossível – O Ajuste de Contas Final, dia 22
Final da Liga dos Campeões de futebol, em Munique, Alemanha, dia 31
JUNHO
Conferência Internacional da ONU, em Nova Iorque, para a implementação da solução de dois Estados no conflito entre Israel e Palestina, de 2 a 4
95.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, de 4 a 22
Festival Primavera Sound, no Parque da Cidade, Porto, com Charli XCX, de 12 a 15
Mundial de Clubes FIFA, disputado por 32 equipas, incluindo Benfica e FC Porto, nos EUA, de 15 de junho a 13 de julho
Cimeira da NATO acontece pela primeira vez em Haia, Países Baixos, de 24 a 26
Concerto dos Imagine Dragons no Estádio da Luz, Lisboa, dia 26
Estreia-se F1, filme protagonizado por Brad Pitt e Javier Bardem, dia 26
JULHO
Dinamarca assume a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, dia 1
Começa a digressão de reunião da banda inglesa Oasis, no Cardiff Principality Stadium, País de Gales, dia 4
Estreia-se nas salas de cinema nacionais Superman, da DC Studios, com Sara Sampaio, dia 10
Festival NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés, Lisboa, com Olivia Rodrigo, Kings of Leon e Finneas, de 10 a 12
Estreia da experiência imersiva Dr. Jane’s Dream, que celebra o trabalho da primatologista inglesa, Tanzânia, dia 14
AGOSTO
Festival Vodafone Paredes de Coura, com Franz Ferdinand, de 13 a 16
Festival Vilar de Mouros, com Da Weasel, de 21 a 23
SETEMBRO
Eleições legislativas na Noruega, dia 8
80.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, EUA, de 9 a 23
Campeonato do Mundo de Atletismo, Tóquio, de 13 a 21
Termina o processo de restauro ao vivo do quadro Virgem e Menino Entronizados com Santos do pintor flamengo Peter Paul Rubens, no Studio Rubens, Museu Real de Belas-Artes de Antuérpia, Bélgica, dia 25
OUTUBRO
O Fantasma da Ópera, de Andrew Lloyd Webber, no Campo Pequeno, Lisboa,de 14 a 25
Eleições legislativas no Canadá, dia 20 (suscetível de alteração)
23.º Festival Internacional de Cinema DocLisboa, de 16 a 26
Eleições presidenciais na Irlanda, dia 27
Eleições legislativas na Chéquia, dia a designar
NOVEMBRO
Grande Prémio de Portugal, penúltima prova do Mundial de MotoGP, Portimão, dia 9
Web Summit, na MEO Arena, Lisboa, de 10 a 13
COP30 – Conferência anual das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, em Belém, no estado brasileiro do Pará, de 10 a 21
DEZEMBRO
250 anos do nascimento de Jane Austen, dia 16
10.º aniversário do Acordo de Paris sobre o clima, dia 12
Estreia-se o terceiro filme da saga Avatar, do realizador James Cameron, dia 18
Campeonato Africano das Nações de futebol, Marrocos, de 21 de dezembro a 18 de janeiro
A tradição cumpriu-se à meia-noite, com brindes, fogos de artificio e muitas promessas. Virou-se a página ao calendário e, em uníssono, na sequência cadenciada dos fusos horários, milhões de pessoas foram dando as boas-vindas ao novo ano. Com uma certeza, porém: a contagem decrescente pode ter terminado às 12 badaladas, mas em termos históricos e nas implicações para o planeta, 2025 só vai iniciar-se realmente a 20 de janeiro – o dia em que Donald Trump vai regressar à Casa Branca e, a acreditar nas suas palavras, disponível para mudar tudo o que estiver ao seu alcance… e a seu bel-prazer. Não é exagero. Todos se lembram da promessa feita por Donald Trump, durante a campanha, do que iria fazer caso fosse ser eleito: “Não serei um ditador… exceto no primeiro dia”. Esse dia ainda não chegou, mas aproxima-se a passos rápidos, deixando o resto do mundo em suspense. E a deixar também muitos líderes políticos, nas suas mensagens de Ano Novo, a mostrarem-se cautelosos nos seus discursos, manietados que estão pelo ambiente de imprevisibilidade em que vivemos – como sucedeu, ontem à noite, na comunicação feita por Marcelo Rebelo de Sousa aos portugueses.
“Precisamos que o bom senso que nos levou a reforçar a solidariedade institucional e até a cooperação estratégica entre órgãos de soberania, nomeadamente Presidente da República e primeiro-ministro, prossiga, e que nos levou também a aprovar os orçamentos 2024 e 2025, continue a garantir estabilidade, previsibilidade e respeito cá dentro e lá fora”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, na tradicional mensagem de Ano Novo, a partir do Palácio de Belém.
O chefe de Estado referiu-se também às eleições autárquicas, afirmando que “o povo será o juiz supremo da resposta perante tantos desafios”. “Eu acredito na vontade experiente e determinada do povo português, eu acredito nos portugueses, eu acredito, como sempre, em Portugal”, afirmou, naquela que foi a oitava e penúltima mensagem de ano novo como Presidente.
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Houve ainda espaço para Marcelo Rebelo de Sousa falar da pobreza no País, referindo-se aos “dois milhões de pobres” como “um problema” que a democracia não conseguiu ultrapassar. “Precisamos de mais educação, melhor saúde mais habitação. Precisamos de elevar os recursos humanos, de apostar na energia limpa, no digital mas não deixando que se aprofunde a distância entre os jovens que avançam e os que não avançam, entre os jovens e os menos jovens”, defendeu.
Continuando na lista do que Portugal precisa para 2025, o Presidente referiu a necessidade de que “os 16 mil milhões do PRR sejam mesmo usados, de “renovar a democracia” e de de afirmar a visão universal de Camões. Ser português é ser universal”, concluiu.
O autor do ataque da madrugada de Ano Novo em Nova Orleães, que matou, pelo menos, 10 pessoas, foi identificado como sendo Shamsud Din Jabbar, um cidadão norte-americano de 42 anos, mas o FBI não acredita que esta tenha sido o “único responsável”.
“Foi identificada uma bandeira do ISIS [Estado Islâmico] no veículo e o FBI está a trabalhar para determinar as possíveis associações e afiliações do sujeito com organizações terroristas”, anunciou, em comunicado, a polícia federal, que pede ajuda à população para identificar outras pessoas ligadas ao ataque.
Eram 3h00 da manhã, hora local, desta quarta-feira, quando um um homem lançou o veículo que conduzia contra uma multidão no movimentado Bairro Francês da cidade de Nova Orleães, no sul dos Estados Unidos. Além dos 10 mortos, para além de Shamsud Din Jabbar, o ataque, que está a ser tratado “como um possível ato de terrorismo”, deixou mais de 30 feridos.
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Além das celebrações do Ano Novo, a cidade estava também cheia de visitantes para o Sugar Bowl, um jogo de futebol americano universitário que se realiza sempre no primeiro dia do ano e que conta com a presença de milhares de pessoas.
Em declarações aos jornalistas, a comissária da polícia Anne Kirkpatrick mostrou-se convicta de que o atacante estava “fortemente determinado a causar uma carnificina”.
1 – A descida das taxas
No dia 1 de outubro de 2008, a Euribor a seis meses chegava aos 5,405%. Este “disparate” que atirou muitas famílias para a situação trágica de perder a casa, por não conseguirem suportar o valor da prestação ao banco, tinha sido provocado pela explosão de uma bolha imobiliária, simbolizada pela queda do Lehman Brothers. Passaram 16 anos.
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Desde aí, nunca a Euribor a seis meses tinha estado tão alta como em outubro de 2023, em que ultrapassou os 4%. Foi um ano de “recessão global”, como o caracterizaram as Nações Unidas. Na Zona Euro, a inflação atingira os 10,14% em outubro de 2022. Na ressaca da Covid-19, com o mundo a querer voltar a consumir como se não houvesse amanhã, mas ainda com a produção e o abastecimento fragilizados, a escassez de produtos levou ao aumento de preços nos bens alimentares. Juntando à “festa” a guerra na Ucrânia e a subida do preço dos combustíveis, tivemos o Banco Central Europeu (BCE) a querer controlar a inflação com as taxas de juro, para refrear o consumo.
E agora? A Euribor a seis meses está nos 2,6% e a 12 meses nos 2,4%. “As previsões apontam para que o BCE desça a taxa de referência para 2% até ao verão do próximo ano. Isto significa que podemos esperar que as taxas de juro em 2025 associadas ao crédito habitação também desçam”, explica a Doutor Finanças, empresa especializada em finanças pessoais e familiares (ver opinião de Sérgio Cardoso, administrador da Academia Doutor Finanças, nestas páginas).
“Após tocarem neste nível, as taxas Euribor devem recuar de forma ligeira, não se afastando muito da referência do BCE (que deverá estar nos 2%). Dentro deste contexto, muitas famílias questionam o que devem fazer ao seu crédito habitação: taxa mista ou taxa variável? O que nos dizem os dados disponíveis é que atualmente conseguimos contratar um crédito com taxa fixa de 2,6% durante dois anos. Se as taxas Euribor recuarem para níveis de 1,85%, como se prevê que aconteça no final do próximo ano, a diferença entre os dois cenários é nula, uma vez que no caso de termos um contrato a taxa variável, temos de acrescentar o spread (1,85% mais 0,75% de spread corresponde a 2,6%)”, descreve ainda.
Claro que esta é a previsão a curto prazo e, num crédito à habitação, muitos anos passam e outra crises virão. Por isso, a análise deve ser feita de outra maneira: tenho margem para enfrentar alguma instabilidade no futuro? Ou é melhor ficar pela segurança da taxa fixa, tendo de eventualmente pagar mais nas alturas em que a variável está baixa?
“A evolução da economia, nomeadamente na Alemanha e em França, e as questões geopolíticas, nomeadamente as que envolvem os EUA [com as ameaças de Donald Trump de impor novas e gravosas tarifas comerciais], podem fazer toda a diferença na política monetária”, continua a Doutor Finanças, mostrando que navegaremos sempre nas movediças terras da incerteza.
2 – As poupanças e o risco
Se para quem está endividado a queda da Euribor é uma boa notícia, para os depósitos a prazo nem por isso. “Se as taxas de juro descerem ao ritmo antecipado, as famílias podem esperar um retorno menor das suas poupanças. As taxas de juro dos depósitos e dos Certificados de Aforro vão acompanhar a evolução, o que significa que o retorno das poupanças dos portugueses vai diminuir”, continua a Doutor Finanças.
Para quem tem dinheiro e gosta de arriscar mais, os analistas de mercados já estão a dar os seus conselhos para 2025. A Santander Asset Management, por exemplo, fala em “oportunidades de investimento atrativas, tanto em ativos tradicionais como em mercados privados”, muito devido ao controlo da inflação, nos Estados Unidos e na Europa, assim como a um “sólido crescimento económico de cerca de 3% a nível global”.
E onde se investe melhor, segundo a gestora do banco Santander? Ativos de risco como as ações norte-americanas, alavancadas em “políticas previstas de impostos mais baixos e desregulação da nova administração de Donald Trump, que poderão ser um catalisador positivo para os mercados de ações”. Prevê-se um crescimento de 12% no índice S&P (Standard & Poor’s 500, que apresenta um ganho de 70% desde outubro de 2023), composto pelas 500 maiores empresas americanas cotadas em Wall Street. E as tecnológicas ligadas à Inteligência Artificial (IA) continuam a ser as rainhas dos ganhos.
“Para 2025, identificamos cinco ideias-chave de investimento: as ações dos EUA, as obrigações de empresas da Zona Euro e do Reino Unido, as obrigações da América Latina, o dólar e a Inteligência Artificial generativa 2.0, ampliando o investimento a todo o ecossistema”, refere José Mazoy, diretor de Investimentos da gestora, em comunicado.
Mas cuidado: se é um principiante – e nunca é demais dizê-lo –, não se aventure em territórios que desconhece, levado por gurus que encontra nas pesquisas do Google. Sobretudo, não ponha os ovos todos no mesmo cesto.
A febre das criptomoedas, por exemplo, ainda continua, mas atente-se às palavras de Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, no Eco. Embora “a lógica para qualquer gestor e investidor é centralizar o seu portefólio nos EUA”, “uma eventual implosão das criptomoedas diferenciar-se-ia de outras bolhas históricas, como a da internet, que deixou infraestruturas de banda larga que impulsionaram a economia, a da ferrovia do século XIX, que deixou linhas férreas, ou até a crise do subprime em 2008/09, que, embora tenha originado uma crise financeira que ditou a Grande Recessão, deixou habitações construídas. No caso das criptomoedas, não sobraria nada de tangível, apenas zeros e uns num computador, uma vez que o seu valor, mesmo o do BTC, assenta na confiança dos investidores na lógica dos algoritmos que as sustentam”.
Mesmo o crescimento da IA não tem uma “dinâmica garantida indefinidamente, especialmente após mais de uma década de taxas de juro próximas de zero. A IA pode ser comparada com uma barragem que sustém uma albufeira a transbordar de taxas de juro elevadas”.
Com todas as cautelas, o certo é que o dinheiro está agora a ir em direção aos EUA, “impulsionado pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente, pela guerra na Ucrânia e pelos problemas políticos e económicos na Europa, nomeadamente no eixo franco-alemão”.
Anda ali uma euforia, que inclui empresas como a Amazon ou a Tesla, e uma esperança no liberalismo económico mais radical de Donald Trump que faz a grande tendência nos investimentos para o ano que aí vem.
3 – Aumentos… ou não
Pão – 5% Embora esteja prevista uma descida da inflação, vai haver aumentos generalizados no próximo ano, com algumas exceções. E as justificações são várias. O nosso alimento primordial vai ficar mais caro. Os custos de produção justificam em parte o valor, mas a razão apontada é o aumento do salário mínimo nacional, que será de €850 a partir de 1 de janeiro.
Carne – Entre 5% e 10% É a estimativa da Associação Portuguesa de Industriais de Carne, justificando os aumentos em 2025 sobretudo com o custo das rações, também em trajetória ascendente. E os ovos seguem o mesmo caminho. Outro dos fatores que atiram os preços para cima são as tarifas energéticas. Talvez seja hora de pensar num janeiro vegan, uma tendência que já anda por aí há uns anos (o chamado veganuary).
Outros alimentos Os produtos lácteos, do leite à manteiga, passando pelo queijo flamengo, andam com os preços num descontrolo. Basta dizer que em novembro tiveram um aumento de 20,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A tendência de subida vai manter-se, porque há mais procura e porque também cresce o salário mínimo nacional.
A boa notícia vem do azeite. Com a perspetiva de uma boa produção mundial e da normalização da oferta, o preço poderá cair 30%, prevê o Instituto Nacional de Estatística.
Rendas – 2,16% O aviso do coeficiente de atualização de rendas foi publicado na semana passada pelo Instituto Nacional de Estatística. Por cada €100, a renda da casa ficará mais cara €2,16. Quer isto dizer que um valor mensal de €750 ficará €16,20 mais caro em 2025. A atualização não é obrigatória e pode haver senhorios que optem por não levar a cabo qualquer subida. Mas há outras más notícias: os senhorios que não atualizaram a renda nos últimos dois anos têm agora a possibilidade de somar os coeficientes de 2023 e de 2024 aos 2,16% de 2025, num total de 11,1% de aumento.
Portagens – 2,21% Tendo por base o valor da inflação homóloga (sem habitação) de outubro, determinado pelo INE, determina-se o valor do aumento das portagens para o ano seguinte. Mas ainda temos de somar uma compensação de 0,1% às concessionárias das autoestradas, com base num acordo que tentou travar um aumento brutal de 10% em 2023. Tudo somado: as portagens ficam 2,21% mais caras.
Por outro lado, a partir de 1 de janeiro, há uma série de autoestradas que deixam de ser pagas. São elas: A4, A13 e 13-1, A22, A23, A24, A25 e A28. Cortesia da oposição, que aprovou a medida com os votos contra do PSD e do CDS.
Transportes públicos – 2,02% Segundo a taxa de atualização tarifária com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística sobre a inflação, haverá um aumento generalizado nos transportes públicos de 2,02%. No entanto, os passes Navegante e os bilhetes ocasionais da Carris Metropolitana vão manter-se como estão.
Eletricidade – 6% Haja alguma coisa que desça! No caso, a eletricidade. Porque houve uma alteração legislativa que aumentou o valor do consumo de energia sujeito à taxa reduzida de IVA (6%), a fatura mensal dos consumidores vai descer. No mercado regulado, a redução deverá situar-se entre €0,82 e €0,88. Já no mercado liberalizado, tanto a EDP Comercial como a Galp anunciaram reduções de 6% na componente de eletricidade na fatura, motivadas pela melhoria das condições de mercado.
Telecomunicações Temos aqui vários cenários. A NOS afirma que “não vai aumentar os seus preços em 2025”, uma decisão que “é transversal” a todos os serviços e tarifários da empresa. Já a Altice Portugal, que detém a MEO, vai proceder a atualizações, com exceção dos serviços da marca digital Uzo e da marca Moche, que mantêm os atuais tarifários. A Vodafone Portugal ainda não divulgou o que pretende fazer.
4 – Rendimentos
Salário Mínimo Nacional +€50
A partir de 1 de janeiro, o salário mínimo aumenta €50, para €870. Esta é a remuneração base, sendo acrescida de subsídio de alimentação e ajudas de custo ou suplementos, caso sejam devidos. Parece incrível que, ainda há cinco anos, se ganhava €600. O maior aumento percentual deu-se em 2023 e 2024, na ordem dos 7,8 e 7,9% respetivamente.
Função Pública +€56,58
O salário mínimo dos funcionários públicos já não é assim tão diferente (para melhor) do dos restantes trabalhadores – em 2025 será de €878,41, ou seja, €8,41 acima do nacional.
No acordo assinado entre o Governo e os sindicatos da UGT, os funcionários públicos que ganhem até €2 630 por mês terão um aumento de €56,58. Os restantes beneficiarão de atualizações salariais na ordem dos 2,15%. Além disso, foi aprovado um crescimento do valor das ajudas de custo.
Pensionistas 3,9%
De acordo com o que prevê a lei, todas as pensões serão atualizadas no próximo ano, um cálculo que tem por base o valor da inflação e é progressivo, ou seja, com uma percentagem mais alta para as reformas mais baixas.
No entanto, os pensionistas com reformas até €1 567,5 vão beneficiar de um aumento extra de 1,25%, que soma ao outro. Foi uma proposta do PS aprovada no Parlamento. Assim, tome nota:
Pensão até €1 045: atualização de 2,6% mais 1,25% adicional. Total: 3,85%.
Pensão entre €1 046 e €1 567,5: atualização de 2,1% mais 1,25% adicional. Total: 3,35%.
Pensão entre €1 567,5 e €3 135: atualização de 2,1%.
Pensão entre €3 135 e €6 270: atualização de 1,85%.
Pensão acima de €6 271: Congelada.
Indexante de Apoios Sociais +€13,24
O Indexante de Apoios Sociais (IAS) serve para calcular uma série de prestações pagas pela Segurança Social e o seu aumento afeta desde o subsídio de desemprego ao subsídio por morte. Em 2025, o IAS situa-se nos €522,5, quando era de 509,26 em 2024.
O teto máximo do subsídio de desemprego, que é de 2,5 IAS, passa a ser €1 306 (sendo o valor mínimo do mesmo de 1 IAS, ou seja, os tais €522,5). Rendimento social de inserção, abono de família, subsídio social parental ou por risco clínico durante a gravidez… todas as prestações serão atualizadas pela subida do IAS.
Salários no privado
O salário médio nacional, que, em finais de setembro de 2024, se encontrava nos €1 528 brutos, vai subir, impulsionado pelo aumento do salário mínimo. Além disso, no setor privado, diversos estudos de consultoras da área apontam aumentos salariais para 2025, alguns na ordem dos 4,1%, como a análise da consultora Korn Ferry, ou de 3,8%, segundo a Mercer Portugal. Em 2024, os aumentos médios no setor privado foram de 4,8%.
5 – Impostos
IRS
O Governo atualizou os escalões de IRS em 4,6%. O primeiro escalão, por exemplo, ao qual se aplica uma taxa de 13% de imposto, deixou de ser para o rendimento coletável até €7 703 anuais e passou para os €8 059. O último, que tem uma taxa de 48%, já não é para rendimentos superiores a 80 mil euros, mas para quem ganha mais de €83 696. Atenção que não estamos a falar das tabelas de retenção na fonte, mas nos escalões anuais, ou seja, estes benefícios só vão ser sentidos em 2026, quando receber o reembolso relativo a 2025. Estamos também a falar de rendimento coletável, que se apura depois de aplicadas as deduções específicas e varia consoante o estado civil ou o número de dependentes.
Outra novidade é o IRS Jovem. Assim, nos primeiros dez anos de trabalho, os jovens até aos 35 anos, não dependentes, terão isenção de IRS numa parte do seu rendimento, das categorias A e B. Todos os jovens poderão ter acesso, independentemente do grau de ensino. O limite é de €28 902,50 coletáveis anuais. Se houver interrupção do trabalho nessa década, a isenção fica suspensa, podendo ser retomada depois. Funciona desta forma:
1º ano: 100% de isenção
Do 2º ao 4º ano: Isenção sobre 75% do rendimento
Do 5º ao 7º ano: Isenção sobre 50% do rendimento
Do 8º ao 10º ano: Isenção sobre 25% do rendimento
Deduções
Por causa do aumento do Indexante de Apoios Sociais, a dedução específica (aquele valor que abate aos nossos rendimentos para se chegar ao rendimento coletável) vai aumentar de €4 350,24 para €4 462,15. É mais dinheiro que sobra, mas só em 2026.
Ainda no campo do IRS, vai subir o teto das deduções das despesas com rendas da habitação permanente, que passa de €600 para €700.
IRC
As empresas também vão ter uma descida nos impostos. A taxa geral de IRC passa de 21% para 20%. O Parlamento aprovou igualmente a descida de 17% para 16% da taxa de IRC que é aplicada aos primeiros 50 mil euros de lucros das micro, pequenas e médias empresas (PME) ou das empresas de pequena-média capitalização.
Recibos verdes
A taxa de retenção na fonte dos recibos verdes passa de 25% para 23%. Atenção que isto não significa, de todo, a descida do imposto. Falamos da retenção na fonte, valores que são ajustados no ano seguinte com a entrega da declaração. Como avisa Pedro Andersson no Contas Poupança, “se retiver menos na fonte, é menos dinheiro que vai receber de reembolso ou é dinheiro que vai pagar a mais no ano seguinte no IRS. O que esta medida significa é que vai ter mais dinheiro no seu bolso ao longo do ano”. A retenção na fonte, para os trabalhadores independentes, faz-se a partir de rendimentos de 15 mil euros, valor fixado para 2025.
Outra medida para o próximo ano é a redução dos pagamentos por conta, que passam dos atuais 76,5% para os 65% de um “montante calculado com base numa fórmula que tem em conta os rendimentos do antepenúltimo ano”.