Em O Peso da Sombra, Eugénio de Andrade escreveu o seguinte poema: “Não ouças essas vozes que não param/ de crescer a caminho do inverno/ os lugares onde o corpo de erro/ em erro abdica de ser corpo/ São mortas, não ouças essas vozes/ onde o sol apodrece, nunca mais.”
Fez peso a sombra que se abateu sobre a Humanidade nos últimos dois anos; falamos das repercussões da pandemia causada pela Covid-19, tema gasto em diversas abordagens, embora talvez não tanto do ponto de vista do impacto emocional que inequivocamente causou nas crianças e nos adolescentes. Sombras que levaram corpos a ter os seus limites muito mais definidos pela marcação da distância física do outro (amigos, pais e avós), longe, ao ponto de todos deixarem de se tocar, pele a pele, guiados por vozes que lhes lembravam o medo de ser e de… existir.