Expedito, pára o carro junto à autocaravana da VISÃO, mal a estacionámos à entrada da vila de Aljustrel, conhecida pela atividade mineira e, até às últimas eleições autárquicas, por ser um forte reduto comunista.
António Manuel, 35 anos, é o funcionário do posto de turismo, filho de mineiro e conhecido pelos seus relatos dos jogos do clube de futebol local. Arrasta-nos até a um café, cumprimentando meia vila pelo caminho. Paga as bicas. E convoca-nos, desde logo, para acompanharmos um protesto de pescadores desportivos, a 14 de Maio, em Vila Nova de Milfontes. Em causa, as regras, para ele apertadas, estabelecidas pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina para o exercício da sua paixão, a pesca à linha de sargos.
Há de depois levar-nos num périplo pelos lugares da vila, mostrando-nos espaços ligados aos mineiros. A sede do sindicato dos ditos, o Glorioso (não é o Benfica, é a delegação local do PCP), o miradouro onde um mineiro reformado costuma ler a imprensa diária, o “elevador” por onde eram descidos os mineiros até 400 metros abaixo da superfície e dali trazido o minério, a lixiviaria e os montes de entulho, pedras rejeitadas pela exploração mineira que ainda hoje marcam a paisagem da localidade.
Pára no bairro de Val d’Oca, um reduto de casas de mineiros, construídas e distribuídas às suas famílias pela companhia que explorou as Pirites Alentejanas antes e depois do 25 de Abril, até à grave crise dos anos 90. É aqui que mora, numa casa da família, enquanto a sua, mais perto do centro da vila, não é concluída. Diz-nos que basta por ali ficarmos, que qualquer pessoa que apareça no café é, garante-nos, mineiro no ativo ou reformando. Tem razão.
Por aqui ficaremos, à procura de histórias. António regressa ao Posto de Turismo. O seu chefe não o autorizou a acompanhar-nos durante o dia. Mais tarde, beberemos uma cerveja juntos. À despedida, relembra-nos o protesto dos pescadores desportivos – a presença de jornalistas em Aljustrel não pode ser desperdiçada.