Numa panela coloca-se água a ferver. Juntam-se as plantas (o dobro da quantidade de lã). E depois atira-se o novelo lá para dentro. Mexe-se bem. Retira-se da água e põe-se a secar. Às vezes, dependendo da cor, a lã tem de ser “mordida” com um fixante.
Para tingir de verde, procuram-se fetos ou urtigas
Para tingir de castanho, apanham-se folhas de nogueira
Para tingir de cor de tijolo, arrancam-se raízes de ruiva
Para tingir de amarelo, juntam-se linquens dos carvalhos
Para tingir de vermelho, colhem-se amoras
São saberes como estes, tão surpreendentes quanto simples, que a cooperativa As Capuchinhas, com sede em Campo Benfeito, consegue preservar. Aqui há quatro mulheres que trabalham o linho, a lã e o burel, sentadas nos teares, passando os fios num vai-e-vem ritmado e dando ao pedal de madeira para completar a tarefa. Dali saem tecidos que depois se transformam nas mais variadas peças de vestuário. A cada estação, vem uma estilista do Porto desenhar-lhes os modelos para elas executarem. Isabel Rodrigues, Henriqueta Félix, Engrácia Félix e Ester Duarte, com idades compreendidas entre os 30 de 60 anos, vivem do que conseguem vender em feiras e lojas. As peças são dispendiosas – são feitas a partir de matérias-primas caras e depois trabalhadas de forma artesanal. Podem atingir 140 euros. Esta zona, desde sempre, se dedicou ao cultivo do linho. E, por arrasto, as mulheres sentaram-se aos teares para o tratar. Há cerca de 20 anos, alguns cursos da União Europeia profissionalizaram esta tradição. Nessa altura nasceram pelo menos três cooperativas 100% femininas, no espaço de poucos quilómetros, se bem que, cada uma delas, enfiada na sua aldeia (Campo Benfeito, Picão e Relva). E assim conseguiu-se fixar as pessoas na terra e dar emprego na zona.