A pandemia trocou a voltas ao mundo do desporto e nesta nova normalidade uma modalidade ficou a ganhar – o golfe. A garantia de distanciamento físico com os outros jogadores num ambiente naturalmente arejado onde é possível retemperar a forma física e mental, está na origem desta inesperada popularidade.
Números da National Golf Foundation (NGF), instituição americana especializada em dados do setor, mostram que só no primeiro ano da pandemia o número de jogadores de golfe nos EUA se situou nos 24,8 milhões, com os novos jogadores (iniciantes que jogam a sua primeira volta e golfistas que deixaram de jogar voltando ao jogo pela primeira vez em anos) a chegar aos 6,2 milhões, o maior número de todos os tempos. As mulheres representaram 40% destes novos praticantes, o número mais alto dos últimos cinco anos.
Um frenesim realçado num comunicado divulgado à indústria pelo presidente da NGF. “Não tem havido tanto otimismo e novas atividades no negócio do golfe desde o virar do século”, sublinhou Joe Beditz.
Um pouco por toda a Europa, a situação repete-se. E por cá, este entusiasmo é muito bem-vindo. Recorde-se que Portugal tem batido a concorrência e arrecadado por anos consecutivos o prémio de “Melhor Destino de Golfe do Mundo”, no âmbito dos World Golf Awards. Mais recentemente, o Algarve foi escolhido como “melhor destino de golfe do mundo para 2020”, pela Associação Internacional de Operadores de Turismo de Golfe (IAGTO), pela qualidade dos 40 campos da região.
“Estamos a caminhar num sentido positivo. Em 2021 ainda não chegámos às voltas de 2019 mas, se continuarmos assim em outubro e novembro, que é a época alta do golfe, iremos acabar este ano com números acima de 2020 (um aumento de cerca de 30%)”, realçou à Visão Imobiliário Luís Correia da Silva, presidente do Conselho Nacional da Indústria do Golfe (CNIG).
As reservas que chegam dos operadores ou diretamente dos hotéis estão a crescer e, diz o responsável, “até para março do próximo ano já há reservas, principalmente de praticantes britânicos”.
Mas não só. “Na Inglaterra, na Alemanha, nos países escandinavos, na Holanda, nunca os campos de golfe locais tiveram tantos jogadores. Muitas pessoas aproveitaram o facto de estar em teletrabalho para ganhar algum tempo de qualidade. E muitos destes, assim que tiveram oportunidade e puderam viajar, voltam aos locais onde já foram felizes”, lembra o presidente da CNIG, referindo que 90% dos praticantes nos campos de golfe em Portugal são estrangeiros.
E muitos dos que estão a chegar são novos praticantes. “Temos verificado que há um segmento de golfistas, com um handicap de golfe mais elevado e que começaram a praticar golfe nos últimos 12 a 18 meses que também nos estão a procurar, o que é muito interessante”, frisou ainda o responsável.
Estrangeiros dominam
Se o turismo de golfe começa agora a reanimar, no imobiliário de luxo associado aos resorts, que tradicionalmente têm o golfe como âncora, o interesse manteve-se sempre em alta.
“O imobiliário e a decisão de comprar casa obedece a um ciclo mais longo do que marcar umas férias, por isso a quebra não foi tão grande como se poderia prever, bem pelo contrário. Para além disso, os resorts apelam a dois tipos de clientes – os que jogam golfe e o que não jogando, querem ter uma espécie de jardim grande frente às suas casas, com amplos relvados, lagos e zonas para passear. E portanto o campo de golfe é um atributo muito apreciado nos resorts”, diz, por seu turno, Pedro Fontainhas, diretor-executivo da Associação Portuguesa de Resorts (APR).
De acordo com o mais recente estudo sobre o Mercado dos Resorts em Portugal realizado pela Confidencial Imobiliário em parceria com a APR, os compradores do Reino Unido continuam a ser a principal fonte de procura internacional para os resorts portugueses, reforçando a sua quota no Algarve entre julho e dezembro do ano passado. Neste período, os britânicos realizaram 56% das aquisições feitas por internacionais em Albufeira-Loulé (a uma média de 6.600€/m2) e 35% no Barlavento. No 2º semestre de 2020 “é ainda de assinalar o “regresso” de outros compradores europeus, alguns dos quais ausentes no semestre anterior”, diz o estudo, dando destaque aos cidadãos da Irlanda, Países Baixos e Alemanha.
Os portugueses ainda que pouco representativos nestas contas começaram subitamente a olhar para este imobiliário de luxo durante a pandemia, diz ainda o responsável. “O mercado nacional despertou para este tipo de produto e percebeu que tinha uma oferta imobiliária espetacular que já cá está há imenso tempo a oferecer aquilo que as pessoas agora querem – casas maiores, bem infraestruturadas e próximas da natureza. As pessoas, hoje mais do que nunca, querem aproveitar a vida”, rematou Pedro Fontainhas.