






Com a nova infraestrutura, a PT pretende assumir-se como um player com capacidade para disputar o mercado de armazenamento de dados dentro e fora de portas. O data centre inaugurado hoje tem em conta os fatores geográfico e económico: foi construído numa região de menor sismicidade e encontra-se junto à fronteira espanhola. A própria operadora já lembrou, por mais de uma vez, que o novo data centre está concebido para se tornar um dos mais robustos da Europa.
O evento de inauguração, concorrido em termos mediáticos como poucos na atualidade, confirma a importância estratégica que o novo data centre pode ter para a PT – e também para a economia local: com um investimento orçado em 90 milhões de euros para a primeira e segunda fases implantação, o novo data centre deverá abrir caminho à criação de 1400 postos de trabalho diretos e indiretos.
Do ponto de vista das tecnologias, os números também são reveladores: com a inauguração, a PT passa a contar com uma capacidade de armazenamento de dados de 33 PetaBytes (PB) dispersa por 56 mil servidores. E passa a concentrar nas novas infraestruturas, a capacidade de armazenamento que estava dispersa por outros pontos do país – e que não superava os 3 PB. Nos próximos tempos, a operadora deverá proceder ao encerramento de três data centres de menor dimensão (dois nos arredores de Lisboa; outro situado no Porto).
Henrique Granadeiro, presidente executivo da PT, lembrou, durante o evento de ativação do data centre, o papel decisivo do antecessor Zeinal Bava, no lançamento deste «marco de transformação da PT enquanto empresa global».
Zeinal Bava enalteceu a importância que o novo data centre, enquanto conglomerado tecnológico, pode vir a ter para o desenvolvimento de novos serviços e soluções.
O ex-CEO da PT e atual CEO da brasileira Oi enumerou várias tendências que podem vir a beneficiar do novo data centre: o aumento do período de ligação à Net; o aumento exponencial da produção de dados pelos utilizadores; a migração para os formatos digitais; e o cloud computing que está a tranformar a forma como os utilizadores gerem os diferentes serviços e conteúdos.
Numa alusão ao potencial do cloud computing no que toca à distribuição de conteúdos para várias famílias de dispositivos, Zeinal Bava sublinhou a importância de garantir uma «agilidade» tecnológica, que leva as pessoas a tomarem por adquirida «a adpatação de um conteúdo para os vários ecrãs».
Esta poderá ser apenas a primeira de algumas inaugurações: no projeto consta ainda a construção de quatro blocos. Por enquanto é apenas um que está construído – mas a operadora admite ocupar os 75.500 metros quadros disponíveis com a construção dos outros três blocos projetados, à medida que as necessidades da operadora e a procura dos seus clientes forem aumentando.
Zeinal Bava e Henrique Granadeiro recordaram, no evento de inauguração, os investimentos efetuados pela PT durante os últimos anos: as redes 4G que cobrem 90% da população nacional e a rede de fibra que já chega aos 100 Gbps e que cobre um total de 1,6 milhões de lares portugueses mereceram o devido destaque: o novo data centre pretende atuar como a peça que permite fechar o ciclo de informação gerida e produzida pelos clientes da PT.
Ambos gestores enalteceram o investimento tecnológico e apresentaram números: entre 2008 e 2012, a PT investiu 3200 milhões de euros em infraestruturas que se encontram no País.
Na PT, o novo data centre é apontado como um trampolim das exporetações de dados. A operadora acredita que a nova infraestrutura possa revelar-se estratégica para o reforço da presença em África e já deu início às primeiras rondas de contactos com empresas e potenciais clientes estrangeiros. Durante o evento, foram ainda apresentados os «100 clientes fundadores», que vão estrear o armazenamento do novo data centre.
Microsoft, Cisco, SAP e a We Do são algumas das empresas que já usam a cloud da PT para prestar serviços. Os líderes da operadora sublinharam ainda a disponibilização de capacidade de armazenamento para terceiros, que tratarão de fazer a devida exploração comercial.
«A definição de sucesso do data centre da Covilhã não é a estreia deste primeiro bloco, mas sim se dentro de algum tempo tivermos os 12 mil metros (de área para servidores) construídos», sublinhou Zeinal Bava.