No fundo do oceano Atlântico, a 700 metros de profundidade, encontram-se as estruturas rochosas do Campo Hidrotermal Cidade Perdida, ou só Cidade Perdida. Aqui há desde estruturas muito pequenas a uma grande coluna com mais de 60 metros. Estas formações estão há pelo menos 120 mil anos a interagir com a água salgada e a expelir hidrogénio, metano e outros gases dissolvidos, com os hidrocarbonetos a alimentar comunidades microbiais, mesmo sem a presença de oxigénio.
Nas chaminés da Cidade, gases a temperaturas que chegam aos 40 graus centígrados misturam-se com espécies de caracóis e outros crustáceos, com a aparição ocasional de outros animais como caranguejos, camarões ou enguias, conta o ScienceAlert.
Apesar destas condições extremas, o ambiente parece estar recheado de formas de vida e com os hidrocarbonetos a não terem interação com a luz solar ou o dióxido de carbono da atmosfera, sugere-se que a vida como a conhecemos formou-se precisamente em condições semelhantes. “Este é um exemplo de um ecossistema que pode estar a acontecer precisamente agora em Enceladus ou na lua Europa. E talvez em Marte, no passado”, assumia o microbiólogo William Brazelton em 2018.
As fendas e chaminés aqui encontradas não dependem de magma aquecido, como acontece nos vulcões subaquáticos, e são muito maiores, o que sugere que têm estado ativas há mais tempo.
Com a Polónia a ter recebido os direitos de mineração do fundo do mar na região onde está a Cidade Perdida em 2018, há vários especialistas a pedir que a área seja considerada Património Mundial antes que seja demasiado tarde e que a Humanidade destrua algo que tem proliferado na Natureza há milhares de anos.