O custo ambiental da utilização de pensos higiénicos convencionais resulta, entre outras consequências, no despejo de mais de 220 mil toneladas de plástico nos oceanos. Agora, uma equipa de investigadores académicos propõe que estes sejam substituídos por pensos feitos à base de amido de milho, seguindo métodos de produção escaláveis e com um custo competitivo.
Os pensos tradicionais contêm cerca de 90% de plástico e a utilização de um material biodegradável chamado ácido poliláctico (PLA) feito a partir de amido de milho pode ajudar a minimizar drasticamente estas consequências. O uso de fontes renováveis e um processo de manufatura menos tóxico para a produção destes pensos mitiga o facto de ser necessário mais solo para os fabricar, explica o Interesting Enginnering.
Alice Medeiros de Lima, autora correspondente do estudo, realça que “a investigação em materiais sanitários sustentáveis mostrou consistentemente que, embora existam muitas alternativas aos produtos tradicionais, a chave para a adoção generalizada assenta na facilidade de produção, no preço e na escalabilidade. Dados os efeitos negativos dos produtos sanitários baseados em plástico no ambiente, a mudança para produtos à base de amido de milho pode reduzir significativamente os resíduos e constituir uma solução mais sustentável para o futuro”.
No estudo, estima-se que uma mulher menstruada utilize cerca de 120 quilogramas destes produtos ao longo da sua vida. Com a maior parte dos pensos a serem constituídos em grande medida por plástico, é fácil perceber que uma grande quantidade destes vá parar ao fundo dos oceanos. A desvantagem da transição para os pensos feitos de amido passa pela necessidade de mais solos para cultivar o milho. No entanto, a natureza renovável do material e um método de produção que emite menos gases poluentes acabam por compensar em grande parte esta desvantagem.
Nesta fase, os principais fabricantes deste tipo de produtos ainda têm de afinar a produção para conseguir escalar e manter a competitividade do custo. Com o milho a constituir-se como uma das maiores colheitas no mundo, usado para alimentação humana e animal, bem como na produção de biocombustível e materiais industriais, será uma questão de tempo até se conseguir construir e manter uma cadeia de funcionamento para abastecimento dos materiais brutos necessários para o PLA.
O estudo completo pode ser lido no Sustainability Science and Technology.