Os idosos não podem continuar a ser invisíveis
Portugal deve muito à geração que hoje envelhece. Foi essa geração que trabalhou, construiu escolas, hospitais, empresas, estradas e instituições, que educou filhos e netos, que ajudou a consolidar a democracia e o Estado Social. Não merece terminar a sua vida entre a pobreza, a solidão ou o esquecimento
Opinião | A epidemia silenciosa da intolerância
Talvez a principal lição da pandemia tenha sido rapidamente esquecida. Durante aqueles meses difíceis, percebemos que a vulnerabilidade é uma condição partilhada por todos, precisávamos uns dos outros e reconhecíamos essa necessidade sem constrangimentos. Hoje, quando o mundo parece ter regressado à normalidade, seria importante recuperar parte dessa consciência coletiva
Portugal perante o desafio da sobrevivência demográfica
A imigração, por si só, não resolve todos os problemas demográficos. É essencial promover políticas eficazes de integração e, simultaneamente, criar condições para que os cidadãos portugueses possam concretizar os seus projetos familiares
Quando a escola perde autoridade
A escola pública não pode transformar-se num espaço onde o professor tem receio de repreender, avaliar com rigor ou impor disciplina. Um docente não é um animador social
O grito de um país cansado
Os portugueses têm razões legítimas para o descontentamento, mas não devemos ignorar que o risco começa quando esse descontentamento se transforma em apatia coletiva ou em descrença absoluta nas instituições democráticas
Opinião | Um SNS em ruína e um governo sem respostas
Durante décadas, o acesso universal à saúde foi apresentado como uma das maiores conquistas da democracia portuguesa. Hoje, esse princípio está a ser lentamente corroído, pois quando mais de um milhão de pessoas não têm médico de família, deixa de existir igualdade efetiva no acesso aos cuidados de saúde
Entre o volante elétrico e a bomba de combustível, o novo mapa da mobilidade em Portugal
Portugal encontra-se, assim, num ponto de inflexão. Entre o volante elétrico e a bomba de combustível, desenha-se um novo mapa da mobilidade. A forma como o percorremos dirá muito sobre o País que queremos ser, mais verde, sim, mas também mais justo e coeso
Papa Leão e a coragem de confrontar o poder sem perder a serenidade
Ao manter uma linha argumentativa consistente e desprovida de oportunismo, o Papa Leão XIV demonstrou que é possível discordar profundamente sem contribuir para a degradação do discurso público
Prescrição, o tempo que absolve o poder
A prescrição não equivale a absolvição. Trata-se de um mecanismo legal que determina que, passado um certo período de tempo, o Estado perde o direito de punir e quando aplicada a processos de grande complexidade e relevância pública, como este, levanta inevitavelmente questões sobre a eficácia do sistema judicial
Abril não se celebra, defende-se!
A democracia portuguesa não se construiu num único momento, nem foi o resultado de um processo linear. Foi, antes, fruto de tensões, debates e escolhas difíceis que moldaram o regime que hoje conhecemos. Ignorar essa complexidade é empobrecer a memória coletiva e fragilizar a compreensão do caminho percorrido
O atentado silencioso que ameaça Ovar
Preservar o pinhal de Ovar é garantir a resiliência da costa, a qualidade de vida das populações e a segurança ambiental de infraestruturas sensíveis como o aterro de Maceda
A fatura fiscal que encarece a energia
Portugal não pode continuar a tratar como inevitável aquilo que resulta, em grande medida, de escolhas políticas
Os devaneios de Trump e o custo global da irresponsabilidade
Ora ameaçando guerra total, ora insinuando negociações improvisadas, Trump substituiu a previsibilidade estratégica por impulsos pessoais e cálculos de curto prazo. A diplomacia tornou-se espetáculo, a política externa, um prolongamento do ego. E o mundo, inevitavelmente, está a pagar essa fatura
Falhar aos doentes oncológicos é falhar a todos
As propostas agora rejeitadas pretendiam algo simples - garantir que os doentes oncológicos recebessem a totalidade do seu rendimento durante o período de incapacidade para o trabalho. Não se tratava de um privilégio, mas de um reconhecimento básico da vulnerabilidade extrema em que estas pessoas se encontram. Ao recusá-las, o Parlamento enviou uma mensagem difícil de ignorar: há limites para a solidariedade coletiva, mesmo quando está em causa a dignidade humana
Quando a urgência espera e as verbas tardam em chegar
Não é aceitável que, em situações de calamidade, a resposta administrativa siga o ritmo normal da burocracia
A Quaresma como património vivo no concelho de Ovar
Para que a tradição não se transforme em encenação vazia, é essencial que seja explicada, contextualizada e reinterpretada. Não se trata de cristalizar o passado, mas de permitir que ele dialogue com o presente
A normalização silenciosa das apostas online
Quando o espaço mediático é saturado por mensagens de aposta fácil, o silêncio sobre as perdas torna-se estrutural. O lucro de poucos sustenta-se, inevitavelmente, na perda acumulada de muitos
Imigrantes, entre o discurso fácil e a realidade que sustenta Portugal
Talvez a verdadeira questão não seja quantos imigrantes Portugal pode receber, mas sim se estamos preparados para reconhecer, com justiça e responsabilidade, o papel essencial que já desempenham na nossa economia, na nossa Segurança Social e, agora, na reconstrução de vidas afetadas pela tragédia
Uma escolha pela união e pela democracia
O Presidente da República não é um comentador permanente nem um ator partidário, é um árbitro, um garante da Constituição e um símbolo da unidade nacional
Num empate técnico, quem deve ir à segunda volta
Num empate técnico, escolher António José Seguro e João Cotrim Figueiredo como finalistas é escolher um debate de ideias e não um confronto de extremos. É escolher que a República continue a ser o espaço onde as diferenças se resolvem com regras, argumentos e responsabilidade e não com gritos