Prescrição, o tempo que absolve o poder
A prescrição não equivale a absolvição. Trata-se de um mecanismo legal que determina que, passado um certo período de tempo, o Estado perde o direito de punir e quando aplicada a processos de grande complexidade e relevância pública, como este, levanta inevitavelmente questões sobre a eficácia do sistema judicial
Abril não se celebra, defende-se!
A democracia portuguesa não se construiu num único momento, nem foi o resultado de um processo linear. Foi, antes, fruto de tensões, debates e escolhas difíceis que moldaram o regime que hoje conhecemos. Ignorar essa complexidade é empobrecer a memória coletiva e fragilizar a compreensão do caminho percorrido
O atentado silencioso que ameaça Ovar
Preservar o pinhal de Ovar é garantir a resiliência da costa, a qualidade de vida das populações e a segurança ambiental de infraestruturas sensíveis como o aterro de Maceda
A fatura fiscal que encarece a energia
Portugal não pode continuar a tratar como inevitável aquilo que resulta, em grande medida, de escolhas políticas
Os devaneios de Trump e o custo global da irresponsabilidade
Ora ameaçando guerra total, ora insinuando negociações improvisadas, Trump substituiu a previsibilidade estratégica por impulsos pessoais e cálculos de curto prazo. A diplomacia tornou-se espetáculo, a política externa, um prolongamento do ego. E o mundo, inevitavelmente, está a pagar essa fatura
Falhar aos doentes oncológicos é falhar a todos
As propostas agora rejeitadas pretendiam algo simples - garantir que os doentes oncológicos recebessem a totalidade do seu rendimento durante o período de incapacidade para o trabalho. Não se tratava de um privilégio, mas de um reconhecimento básico da vulnerabilidade extrema em que estas pessoas se encontram. Ao recusá-las, o Parlamento enviou uma mensagem difícil de ignorar: há limites para a solidariedade coletiva, mesmo quando está em causa a dignidade humana
Quando a urgência espera e as verbas tardam em chegar
Não é aceitável que, em situações de calamidade, a resposta administrativa siga o ritmo normal da burocracia
A Quaresma como património vivo no concelho de Ovar
Para que a tradição não se transforme em encenação vazia, é essencial que seja explicada, contextualizada e reinterpretada. Não se trata de cristalizar o passado, mas de permitir que ele dialogue com o presente
A normalização silenciosa das apostas online
Quando o espaço mediático é saturado por mensagens de aposta fácil, o silêncio sobre as perdas torna-se estrutural. O lucro de poucos sustenta-se, inevitavelmente, na perda acumulada de muitos
Imigrantes, entre o discurso fácil e a realidade que sustenta Portugal
Talvez a verdadeira questão não seja quantos imigrantes Portugal pode receber, mas sim se estamos preparados para reconhecer, com justiça e responsabilidade, o papel essencial que já desempenham na nossa economia, na nossa Segurança Social e, agora, na reconstrução de vidas afetadas pela tragédia
Uma escolha pela união e pela democracia
O Presidente da República não é um comentador permanente nem um ator partidário, é um árbitro, um garante da Constituição e um símbolo da unidade nacional
Num empate técnico, quem deve ir à segunda volta
Num empate técnico, escolher António José Seguro e João Cotrim Figueiredo como finalistas é escolher um debate de ideias e não um confronto de extremos. É escolher que a República continue a ser o espaço onde as diferenças se resolvem com regras, argumentos e responsabilidade e não com gritos
A Venezuela entre o autoritarismo interno e a violência externa
Reconhecer o fracasso da era de Maduro não equivale a validar a intervenção norte-americana. A operação ordenada por Donald Trump, conduzida sem mandato explícito das Nações Unidas e fora de um quadro jurídico internacional consensual, constitui uma violação clara da soberania venezuelana
A urgência de um serviço de urgência no hospital de Ovar
Para os mais idosos, para as famílias sem meios de transporte próprios e para quem trabalha por turnos, o acesso rápido a cuidados urgentes não é um luxo, é uma necessidade básica
Nova lei da nacionalidade, entre o controle e a exclusão
Criar obstáculos à nacionalidade de quem nasce, cresce e é socializado em Portugal não reforça a integração, pelo contrário, institucionaliza a exclusão
Gaza e o preço da nossa indiferença
A linguagem torna-se arma quando suaviza a violência, quando substitui “crianças mortas” por “danos colaterais”, quando trata zonas densamente povoadas como “infraestruturas terroristas” ou quando relativiza ataques a escolas e hospitais com explicações que mudam consoante a conveniência política
A inclusão é uma mentira que continuamos a contar
Ainda hoje, muitas pessoas com deficiência são tratadas como “casos especiais”, como exceções que obrigam a adaptações que se entendem como um favor, e não como um direito
Estamos a viver ou apenas a sobreviver?
A linha que separa dedicação de exaustão tornou-se tão ténue que basta um prolongado período de exigência para a ultrapassarmos sem perceber
Reforma laboral: Entre a flexibilidade e a precariedade
A verdadeira questão que se coloca é esta: qual é o modelo de sociedade que queremos construir? Um mercado laboral demasiado rígido pode estrangular a competitividade, mas um mercado excessivamente flexível pode fragilizar os trabalhadores e aprofundar desigualdades. A solução raramente está nos extremos
O empreendedorismo como motor da transformação em Portugal
O que está em causa não é apenas a criação de novas empresas, mas a construção de uma sociedade mais dinâmica, resiliente e preparada para o futuro