A sorte está ditada. Aconteça o que acontecer nas próximas horas, já sabemos que as atenções de meio mundo vão estar hoje concentradas em Londres, no primeiro de quatro dias do jubileu de platina da rainha Isabel II, destinado a assinalar a passagem do 70.º aniversário da sua coroação no trono de Inglaterra e, atualmente, de mais uma dezena e meia de outros países. O espetáculo já foi ensaiado ao pormenor e vai passar em direto na maioria das televisões: mais de 1500 militares, 400 músicos e 250 cavalos vão desfilar pelo centro de Londres, num cortejo que terminará com o troar dos motores de 70 aviões de combate nos céus da capital britânica, ao mesmo tempo em que os membros da família real se exibirão na varanda do Palácio de Buckingham, em posições previamente estabelecidas pelo protocolo, para receberem os aplausos de milhares de pessoas no exterior. Depois, um pouco por todo o país, haverá, ao que tudo indica, 1 775 festas de rua e outros 1 458 eventos públicos.
Por que razão este acontecimento desperta tanto interesse mediático e popular num país em que o nome Reino Unido é cada vez menos apropriado, e ao mesmo tempo que a Europa está outra vez ameaçada pela pior das guerras? A resposta, mesmo que seja dada por moeda ao ar, será apenas uma: a moeda cairá sempre do lado da cara e nunca da coroa.