Uma noite para fazer o dia de alguém. Partindo dos versos da canção Bons Dias dos Deolinda, que atuaram no Teatro da Trindade, em Lisboa, na sexta-feira, poderíamos resumir com esta frase o primeiro concerto solidário promovido pela VISÃO Solidária e pela Associação Mutualista Montepio.
Uma noite em que todos foram heróis de alguma maneira. Os artistas, Fábia Rebordão e Deolinda, atuaram em troca de alimentos doados pelos espectadores à Comunidade Vida e Paz. O público chegou carregado de sacos com leite, enlatados, massa, arroz, azeite e outros bens não perecíveis. Houve, ainda, quatro pessoas que saíram do Teatro da Trindade com o título de Heróis do Ano (um vencedor e três Menções Honrosas).
A agitação da chegada do público incluiu muitos sacos de compras cheios que eram entregues aos voluntários da Comunidade Vida e Paz, surpreendidos com o volume dos bens doados (o donativo mínimo era de €5 em alimentos). A contabilidade de todos os alimentos doados só ficará concluída nos próximos dias mas, com a ajuda do concerto solidário, a instituição conseguiu encher uma carrinha com bens alimentares.
Foi já libertos dos sacos que os espetadores, vindos de vários pontos do país, se instalaram na sala Eça de Queiroz, praticamente esgotada para os concertos da fadista Fábia Rebordão e dos Deolinda.
Antes do espetáculo, coube à diretora da VISÃO, Mafalda Anjos, anunciar os vencedores do prémio Os Nossos Heróis, igualmente promovido pela VISÃO Solidária e pela Associação Mutualista Montepio, que premeia pessoas que se destacam na área da solidariedade social.
O grande vencedor do título de Herói do Ano foi Nuno Neto, 55 anos, de Albufeira, presidente da APEXA – Associação de Apoio à Pessoa Excecional do Algarve. Pai de um jovem com Espinha Bífida, fundou a associação há 13 anos com o objetivo de apoiar a integração socioprofissional de pessoas com deficiência. Atualmente, conta com a colaboração de 15 técnicos e apoia 450 pessoas.
As Menções Honrosas foram entregues a Rosa Vilas Boas, 37 anos, do Porto, fundadora da Ajudaris (apoio e integração social de pessoas carenciadas); Maria de Lurdes Macedo, 45 anos, de Lisboa, coordenadora geral da Orientar – Associação de Intervenção para a Mudança (integração socioprofissional de pessoas em situações de risco); e Miguel Neiva, 47 anos, do Porto, criador do ColorADD (alfabeto de cores para daltónicos).

A contabilidade de todos os alimentos doados só ficará concluída nos próximos dias mas, com a ajuda do concerto solidário, a instituição conseguiu encher uma carrinha com bens alimentares
António Bernardo
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Fábia Rebordão subiu ao palco para apresentar o seu novo Eu, título do seu segundo disco. A cantora conseguiu pôr o público a cantar a plenos pulmões alguns temas mais tradicionais como Limão ou Trigueirinha. Mas também houve espaço para os originais do disco, como Não Sei Dizer ou o single Falem Agora.
Os Deolinda também tiveram direito a coros afinados em temas como Fado Toninho ou Berbicacho, com Ana Bacalhau a puxar pelos dotes vocais da assistência. A celebrar dez anos de carreira, a banda prepara-se para atuar nos coliseus de Lisboa (28 de janeiro) e do Porto (4 de fevereiro) no início do próximo ano.
Além dos temas do último disco, como Corzinha de Verão ou Bons Dias, não faltaram os “clássicos” como Fon-fon-fon ou Movimento Perpétuo Associativo.
A sala, essa, já estava rendida à energia de Ana Bacalhau e de Pedro da Silva Martins, José Luís Martins, José Pedro Leitão e ao baterista que tem acompanhado o grupo na estrada, Sérgio Nascimento. Foram mesmo obrigados a voltar ao palco para um encore com Seja Agora.
Ao final da noite, havia muitos corações cheios. Com a certeza de que a missão deste concerto solidário só terminará à mesa daqueles que receberem os alimentos doados pelo público à Comunidade Vida e Paz.
Afinal, às vezes, para ser um herói, basta fazer o dia de alguém, como tão bem cantam os Deolinda.