Rosa Serra nunca ouvira falar do corpo de enfermeiras paraquedistas quando uma colega de curso e de trabalho a inscreve, sem lhe dar cavaco, para prestar provas em Lisboa. “Tu és maluca?! Eu alguma vez era capaz de me atirar de um avião?!”, fora a reação inicial da jovem Rosa, ao ser desafiada para acompanhar não uma, mas duas amigas à capital, corria o ano de 1967.
Com 21 anos, a enfermeira natural de Vila Nova de Famalicão já havia descartado o trabalho no bloco operatório no Hospital de Santo António, que considerava demasiado monótono, mas convive bem com os dias agitados na urgência do São João, também no Porto. Aceita o repto “mais para conhecer Lisboa”, como viria a partilhar com Susana Torrão, muitos anos depois, num dos vários testemunhos destas corajosas enfermeiras recolhidos pela jornalista no livro Anjos na Guerra (Oficina do Livro, 2011).