Aprovado pela Agência Reguladora dos Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), este novo medicamento “revolucionário”, o Sotorasib, atua contra a mutação do gene KRAS G12C conhecida como “Death Star” (Estrela da Morte) – devido ao seu aspeto esférico e natureza impenetrável –, impedindo a divisão celular e o crescimento do cancro. “O Sotorasib é um dos mais excitantes avanços no tratamento do cancro do pulmão em 20 anos, atuando sobre um gene cancerígeno que anteriormente era descartável e foi construído durante décadas de investigação laboratorial, que desvendaram o funcionamento interno do cancro”, salientou Charles, médico especialista da Cancer Research UK, citado pelo The Guardian.
De acordo com Swanton, a boa notícia é que após o Instituto Nacional para a Saúde e Excelência dos Cuidados (Nice) e a Amgen UK terem chegado a um acordo nacional que permitiu o acesso antecipado ao medicamento a doentes elegíveis de cancro do pulmão em Inglaterra, os pacientes vão agora beneficiar deste medicamento, que “expande a lista de terapias de precisão eficazes contra o cancro do pulmão que ajudam a melhorar a sobrevivência de doentes com opções limitadas”.
Na fase inicial, que começa dentro de algumas semanas, apenas cerca de 600 pacientes com cancro do pulmão vão receber o medicamento sob a forma de um comprimido que inativa o gene.
Amanda Pritchard, chefe executiva do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), realçou que “este medicamento contra o cancro do pulmão, com décadas de existência, é o último acordo conseguido pelo serviço de saúde em Inglaterra que irá salvar vidas”.
Além deste acordo, o NHS britânico conseguiu recentemente vários outros acordos de medicamentos, incluindo uma vacina contra o colesterol que se estimar poder evitar cerca de 55 mil ataques cardíacos nos próximos três anos, e o Osimertinib, outro medicamento contra o cancro do pulmão, que visa reduzir as hipóteses das recividas do cancro.
Este esforço por parte do NHS surge numa altura em que o serviço de saúde continua a última fase da campanha Help Us to Help You, uma iniciativa que surgiu com o intuito de persuadir o público a procurar os cuidados e o tratamento de que precisem -, encorajando as pessoas com sintomas ou alterações invulgares – tais como uma tosse persistente não associada à Covid-19, tosse com sangue, caroço na zona da barriga ou da mama, hemorragia pós-menopausa, ou perda de peso inexplicável – a contactar imediatamente o seu médico de família, uma vez que estes também podem ser sinais de cancro.