O austríaco Eric Schwam tinha 13 anos quando, em 1943, se refugiou numa escola da cidade francesa de Le Chambon-sur-Lignon. Ele e a família fizeram parte dos 3 a 5 mil judeus que se esconderam dos nazis nesta região montanhosa do sudeste de França, durante a II Guerra Mundial, com a colaboração da população local. Como sinal de gratidão, no seu testamento, Eric deixou mais de dois milhões de euros à cidade.
Engenheiro bem-sucedido, o austríaco morreu no passado dia 25 de dezembro, aos 90 anos. Depois da Grande Guerra, permaneceria em França, onde viria a casar com Colette Ponthus, uma católica da região de Lyon de quem enviuvou em janeiro de 2020. O casal nunca teve filhos e desde 2013 que tinha informado a comuna de Le Chambon-sur-Lignon da intenção de partilhar uma parte da herança com os habitantes locais. No testamento, Eric Schwam e Colette Ponthus manifestaram o desejo de a verba ser aplicada em iniciativas para a juventude, nomeadamente na criação de bolsas de estudo.
Durante a II Guerra Mundial, o colégio privado Cévenol, onde Eric se escondeu, foi apenas um dos vários locais da região que acolheram judeus perseguidos pelos nazis. Sempre que o exército alemão se aproximava, os refugiados costumavam esconder-se nas montanhas e só voltavam quando a população francesa entoava uma canção, o sinal para um regresso seguro.
Em 1990, o papel da cidade e das suas gentes foi louvado pelo governo de Israel com a atribuição do prémio Justos entre as Nações, que homenageia todos os que ajudaram a salvar vidas de judeus durante a II Guerra Mundial e que também foi atribuído ao diplomata português Aristides de Sousa Mendes.