Quase um ano depois, a Capital do Natal continua a enfrentar a ira dos clientes. O evento natalício, que prometia a ‘Lapónia portuguesa’ e atrações ‘fora de série’ durante os meses de novembro, dezembro e janeiro, mantém processos de reembolso em ‘banho-maria’.
“Com um preço pornográfico, era de esperar um evento de alta qualidade, visto que sempre foi isso que publicitaram”, acusa Andreia Dias, fazendo referência aos bilhetes diários, que custavam €25 para crianças e €30 para adultos. “Com três ou quatro diversões do mais reles, um parque que devia entreter um dia inteiro podia ser facilmente visto em duas horas”.
A estas queixas, noticiadas pela VISÃO em dezembro de 2019, juntaram-se as intermináveis filas de hora e meia, a lama em lugar do prometido manto de neve e a falta de decoração – que contribuiu para uma atmosfera pouco natalícia no Passeio Marítimo de Algés, em que “até o Pai Natal chegou a faltar”.
Do outro lado da fronteira, a Unión de Consumidores de Extremadura (UCE) – uma associação regional de defesa dos consumidores espanhola – viu-se forçada a intervir, após uma centena de turistas espanhóis terem ligado em catadupa no terceiro dia do evento para demonstrar o seu desagrado. Na altura, a Capital do Natal foi muito publicitada no país vizinho, o que levou a uma invasão de turistas espanhóis.
Em comunicado na página de Facebook, em dezembro de 2019, a UCE aconselhou os consumidores espanhóis a escreverem uma reclamação à Capital do Natal, assim como ao intermediário da venda dos bilhetes.
Face às críticas, houve quem comprasse bilhete e batesse com nariz na porta. “Nós nem sequer chegámos a entrar”, confessa Helena Cardoso, que tinha comprado cinco bilhetes no valor de 150€ para a Capital do Natal. “Nós moramos no norte, programámos tudo para um fim de semana em família e, no próprio dia, consultei a página de Facebook e vi que tinham lá uma publicação a dizer que não iam abrir”.
Ao ser confrontada com esta situação, Helena conta que não tardou em contactar a entidade responsável.
“Disseram-me para enviar um email a comunicar o número de bilhetes que tinha reservado. Fiz logo isso”, assegura. Em resposta, a Capital do Natal desculpou-se pelo sucedido, acrescentando que os processos de reembolso eram “demorados”.
Desde aí, não houve qualquer desenvolvimento. Após ter reforçado o pedido via email e chamada telefónica, Helena – como tantos outros portugueses e espanhóis que acusam a empresa promotora Christmas Fun Park de fraude – receiam “não voltar a ver o dinheiro”.
A VISÃO pediu um comentário sobre os processos de reembolso à Capital do Natal, mas, até ao momento, não obteve resposta.