São às centenas os sites que disponibilizam o Oseltamivir, a preços muito superiores aos vendidos legalmente, ou seja, mediante receita médica e nas farmácias portuguesas.
A agência Lusa consultou algumas dezenas desses sites e encontrou este medicamento à venda por preços que chegam a atingir os 300 euros por cada embalagem de dez comprimidos, quando o original, legalmente autorizado, custa pouco mais de vinte euros.
Confrontado com esta situação, o vice-presidente da Autoridade Nacional do Mediamento e Produtos de Saúde (Infarmed), Hélder Mota Filipe, disse que o assunto merece a preocupação das autoridades de saúde, que já há algum tempo têm alertado para os riscos da venda ilegal de fármacos. O aumento da oferta ilegal deste fármaco através de sites na Internet não surpreende o responsável. “É o mercado a funcionar”, disse.
Por se tratar de um medicamento prescrito para uma patologia, a pessoa que o adquirir por vias ilegais e decidir consumi-lo sem indicação médica corre vários riscos, nomeadamente de sofrer as reacções adversas e de criar resistências a um vírus que está a assustar o mundo, o da gripe A (H1N1). Por essa razão, as pessoas que actualmente consomem o Oseltamivir sem ter a doença poderão não conseguir ser tratadas com este medicamento se e quando forem infectadas com o vírus. Mas são mais os riscos que este tipo de compra ilegal acarreta.
Segundo Hélder Mota Filipe, os estudos realizados em Portugal aos medicamentos vendidos ilegalmente através da Internet e apreendidos nas alfândegas apuraram que a esmagadora maioria dos alegados fármacos eram contrafeitos. Em alguns casos, não existia a substância activa do medicamento, era diferente da anunciada ou em quantidades inferiores.
O Infarmed detectou ainda “impurezas” que podem colocar em causa a vida das pessoas, conforme anunciou em Março o presidente do Instituto, quando revelou que 93% de 80 amostras de medicamentos adquiridos pelos portugueses na Internet e analisadas por este organismo eram produtos contrafeitos. Inicialmente, a venda ilegal de medicamentos abrangia essencialmente produtos contra a impotência sexual e a obesidade, embora actualmente já se encontrem alegados fármacos contra doenças como o cancro ou do foro cardíaco.
“É um mercado poderoso”, que chega a ser superior ao do tráfico de droga, afirma Hélder Mota Filipe.
Questionado sobre as razões por que um cidadão prefere adquirir um medicamento sem segurança e a um preço muito mais elevado do que através dos meios legais, o vice-presidente do Infarmed disse que, desta forma, o consumidor tenta contornar aquilo que considera ser um impedimento: a necessidade de ter uma receita médica, a qual só deve ser prescrita em caso da doença. Esta venda ilegal é “um canal alternativo, invariavelmente não controlado”, disse.