1 – O candidato ‘cloud’
Marcelo Rebelo de Sousa é uma espécie de candidato virtual à Presidência da República. Desde, pelo menos, 1999 – altura em que renunciou à liderança do PSD, depois de uma AD falhada com Paulo Portas – que o seu nome aparece, quando se discutem as hipóteses para Belém. Está sempre de reserva na nuvem (cloud) política, à espera de ser chamado. É um mestre do xadrez político e a sua argúcia deixa a léguas de distância muitos barões. Há 15 anos, garantiu: “Não tenho perfil para o cargo” de Presidente.
2 – ‘Pop-star’ da política
Muito antes de se reinventar como comentador televisivo, o professor de direito celebrizou-se na rubrica da TSF Exame. Durante três anos (1993-96), atribuiu notas aos políticos e só deixou de efetuar essas avaliações para chefiar o partido laranja, porque Cristo desceu à Terra – Marcelo dissera que só se Cristo aparecesse é que concorreria à liderança do PSD. E quando abandonou o comando do partido, voltou aos comentários. Primeiro, na TVI (2000), de onde saiu por alegadas pressões do Governo de Santana Lopes, depois na RTP 1 (2005) e, desde 2010, novamente na estação de Queluz.
3 – Eu vou
Em outubro passado, Marcelo declarou, no seu comentário televisivo, que o “dever moral” poderia levá-lo a candidatar-se às presidenciais de 2016. Numa espécie de diálogo consigo próprio falou na terceira pessoa, o comentador Marcelo referiu que o cidadão Marcelo, “em teoria”, poderia avançar, mas que Durão Barroso e Santana Lopes também estariam bem colocados.
4 – Ai não vais, não…
Com o Congresso do partido à porta – o último antes das presidenciais, conforme frisou, Passos Coelho grafou, na sua moção, o perfil do candidato desejável para o PSD. “Deve evitar tornar-se numa espécie de protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político.” Marcelo, enfiou a carapuça.
5 – …pois não
Marcelo, usando a sua tribuna semanal na TVI, acusou o toque. Fazendo, novamente, uso da terceira pessoa, excluiu-se da corrida a Belém e vincou que não quer ser o Manuel Alegre do PSD, dividindo o eleitorado da direita. Na sua opinião, “Passos agiu no pressuposto de que está muito forte em relação às legislativas” e “quer escolher com quem vai trabalhar”. E que Durão Barroso pode ser o eleito do líder do PSD.
6 – Ou talvez sim…
Mas a autoexclusão de Marcelo, depois do “empurrão” que, implicitamente, lhe fora dado por Passos Coelho, parece não ter caído bem nas bases do partido. O líder do PSD emendou a mão e disse ter ficado “muito surpreendido” com a reação de Marcelo. Explicou que “apenas traçou um perfil genérico” e rejeita ter afastado alguém. A resposta do professor seguirá dentro de momentos… no sítio do costume.
Artigo publicado na Revista VISÃO nº 1090 de 23 de Janeiro de 2014