Nascido há quatro meses na ala pediátrica do hospital Nasser, em Khan Yunis, no Sul da Faixa de Gaza, Yousef al Najjar nunca conheceu uma vida normal. Um bebé com a sua idade deveria pesar entre cinco e seis quilos. A mãe, num depoimento recente à revista online Al Majalla, explica por que motivo o seu filho, de apenas quilo e meio, é só pele e osso: “Não consigo arranjar nada para comer. Não o posso amamentar ou alimentar em condições (…). Ele está a piorar e as costelas estão cada vez mais salientes (…). Os médicos dizem-me, todos os dias, que ele dificilmente pode sobreviver se não começarem a chegar leite e medicamentos.”

Para Yousef al Najjar, após um implacável bloqueio das autoridades israelitas ao enclave de 365 quilómetros quadrados, desde o início de março, a chegada de nove camiões com ajuda humanitária, esta segunda-feira, 19, de pouco serviu. O menino morreu esfaimado. Como ele, muitos outros tiveram o mesmo destino nas últimas semanas. E, no dia seguinte, de acordo com uma lancinante advertência das Nações Unidas, “nas próximas 48 horas” 14 mil bebés e menores de tenra idade habilitam-se a que lhes aconteça o mesmo.
