Giovanni Quintella Bezerra, médico anestesista de 32 anos, foi detido num hospital do Rio de Janeiro, no Brasil, esta segunda-feira, depois de ter sido apanhado pelos colegas a abusar sexualmente de uma paciente grávida.
Por já suspeitarem da má conduta do colega, a equipa médica que estava de serviço filmou com um telemóvel o momento em que, momentos antes de um parto, Bezerra, colocado estrategicamente perto da cabeça da grávida, executou movimentos rítmicos e suspeitos. As autoridades brasileiras temem, contudo, que este não tenha sido o único caso de abuso por parte do anestesista a grávidas sedadas antes dos partos.
O caso que serviu de prova
Os colegas de Bezerra tinham notado que o médico administrava anestesia em excesso às grávidas que atendia e que fazia movimentos suspeitos quando estava perto das pacientes, que estavam sedadas. Normalmente, no caso das cesarianas, os médicos administram anestesia local, mas Bezerra insistia em dar anestesia geral, conta uma das suas colegas.
O vídeo mostra como o anestesista abusou sexualmente da paciente inconsciente, colocando o pénis dentro da boca da mulher, durante cerca de 10 minutos, e como limpou os vestígios que ficaram no corpo da grávida. Na mesma sala, e a centímetros do médico, estavam outros colegas a preparar o parto, os mesmos que colocaram a câmara – apenas um pano os separava. A grávida, que estava prestes a fazer um parto com cesariana, estava sob o efeito de substâncias anestésicas. De acordo com a Folha de S. de Paulo, esta mulher não terá sido a única vítima de Bezerra.
Testemunho na primeira pessoa
Naiane Guedes acredita que pode ter sido uma das vítimas de Giovanni. “Quando retomei a consciência, só ouvia a voz dele no centro cirúrgico. Tive a sensação de que estava sozinha com ele. Ele também falava sobre os procedimentos baixinho no meu ouvido, e isso incomodou-me”, disse a técnica de radiologia, de 30 anos, ao jornal Metropoles.
Naiane fez o parto por cesariana no dia 5 de junho, e na altura estranhou receber anestesia geral. “Esta foi a terceira cesariana que fiz e nunca tinha tomado nenhuma anestesia geral. Desta vez, fiquei completamente anestesiada e estranhei este comportamento”, contou ainda.
Apesar de não ter provas que comprovem o abuso, Naiane acredita que é também uma vítima. “Não tenho a certeza, porque estava inconsciente (…) passei mal quando vi a notícia, reconheci-o na hora”, disse.
Também o seu companheiro estranhou o comportamento do anestesista. “Fiquei ali até ele [Giovanni] pedir que me retirasse. Pediu para eu sair. Eu saí com a pediatra e ele ficou lá. Ela foi sedada depois”, referiu Rafael Marques de Oliveira, de 28 anos.
“Gravidade da conduta é extremamente acentuada”
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro já disse, em comunicado que, além de evidenciar o “repúdio” em relação à conduta do médico, a equipa do hospital já está a apoiar a vítima e a respetiva família.
O anestesista ficou em prisão preventiva nesta terça-feira. “A gravidade da conduta é extremamente acentuada” afirmou a juíza Rachel Assad, citada pelo G1. “Nem a presença de outros profissionais foi capaz de demover o preso da repugnante ação, que contou com a absoluta vulnerabilidade da vítima, condição sobre a qual o autor mantinha sob o seu exclusivo controlo, já que ministrava sedativos em doses que assegurassem a absoluta incapacidade de resistir”.
Giovanni Bezerra trabalhou em pelo menos 10 hospitais públicos e privados do Brasil, segundo o próprio. O médico formou-se em 2017 pelo Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), na região Sul Fluminense, no estado do Rio de Janeiro, onde também concluiu a especialização em anestesia no início de abril.