Para quem vai à bomba abastecer, até pode parecer que o petróleo nunca esteve tão caro. O custo com a gasolina e o gasóleo nunca foi tão alto como nos últimos meses, apesar de ter havido vários períodos na última década e meia em que o preço do ouro negro esteve acima da atual fasquia de 100 dólares. Uma das explicações para esta diferença entre a cotação do petróleo e o preço que se paga para abastecer está relacionada com a queda do euro face ao dólar. Porém, o efeito cambial está longe de contar toda a história. A puxar pelos preços têm estado ainda as margens inéditas alcançadas pelas petrolíferas para refinar a matéria-prima, que funcionam como um potente aditivo para as contas desse setor. Com o grande lucro, chega também um maior escrutínio, e alguns países já avançaram com um imposto sobre esses resultados “caídos do céu”, medida que o Governo português ainda está a analisar.
Mas vamos a números. As empresas do setor têm pulverizado recordes de rentabilidade, batendo mesmo os máximos atingidos em julho de 2008, quando o petróleo atingiu um valor histórico de 147,50 dólares. As cinco maiores petrolíferas do mundo reportaram lucros acima de 50 mil milhões de dólares (48,7 mil milhões de euros) no segundo trimestre deste ano. Estas companhias enchem os cofres numa altura em que o cidadão comum tem de fazer um esforço cada vez maior para suportar o aumento do custo de vida, o que cria pressão sobre os governos para porem freio aos ganhos do setor. Nos EUA, por exemplo, Joe Biden criticou as petrolíferas, por não fazerem refletir nos preços os alívios que a cotação do ouro negro teve nas últimas semanas, e escreveu uma carta a avisar o setor de que as elevadas margens de refinação não eram aceitáveis. As empresas do país estão a cobrar mais de 40 dólares para transformarem um barril de petróleo num produto refinado, um preço muito acima da média histórica.
