Tenho cá para mim o pensamento que exponho seguidamente.Quando Sócrates negociou o PEC IV, sem dar cavaco à oposição (AR) e ao próprio presidente, estava a preparar o que a seguir aconteceu. Não se trata de nenhuma teoria da conspiração, nem sou politólogo. Se Sócrates continuasse no governo e fosse demitido na altura da não aprovação do orçamento para 2012, o que ocorreria muito próximo do fim do ano, muito provavelmente teria de abandonar a liderança do PS e a política.Ora se se demitir agora, na semana em que vai ser reeleito, criando o cenário de vitimização tem muito mais hipóteses de continuar no poder, até 2015, quem sabe! Nos próximos dias ao ser reeleito, vai unir todo o PS há sua volta. Mesmo os descontentes vão apoiá-lo. Sairá do congresso com o PS unido e forte, para voltar a conquistar o eleitorado. Por outro lado, não dá espaço a Passos Coelho para preparar a sua “defesa” e argumentos que possam fazer com que o povo mude o seu sentido de voto. Uma decisão de mestre.Por outro lado, se Passos Coelho tivesse de esperar pela não aprovação do orçamento para 2012, muito provavelmente o PSD, nessa altura, iria a votos com outro líder. Por isso mesmo, sentiu a necessidade de atacar com toda a força e aproveitar o isco que lhe lançou Sócrates. Acredito que Passos Coelho não tem nada a perder, perderia provavelmente mais, se lhe fosse dado mais tempo, porque acredito que a oposição interna também está sedenta de poder. Agora, no seu caminho para o poder, vai ter de que mostrar aos portugueses a sua fibra. Acabou-se o tempo de namoro!O que iremos ter a seguir? Sócrates a fazer, infelizmente, o discurso a que já nos habituou. Mais do mesmo. Mas sempre eficaz, porque o povo continua a dar-lhe uma percentagem elevada.Quanto a Passos Coelho, tem um discurso mais pausado, procurando esclarecer os portugueses das dificuldades que o país atravessa. Um discurso que parece mais consentâneo com o momento presente. Mas é preciso ter carisma, ganhar a confiança dos eleitores. Não vale a pena falar muito. O povo tem é de acreditar. Passos Coelho deve olhar para a última campanha presidencial. O achincalhamento de que foi alvo Cavaco Silva, não lhe tirou a maioria absoluta. E ganhou onde ninguém esperava.