1. Nora Helmer, Teatro Aberto
O que dizer de uma mulher que, sentindo-se pouco amada, decide deixar o marido e os três filhos e ir pelo mundo para se descobrir? O que dizer desta Nora hoje, em 2025, e o que se disse em 1879, ano de estreia de Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen? Quase um século e meio depois, o papel da mulher na sociedade e no casamento ainda pode ser discutido, e foi isso que João Lourenço e Vera San Payo de Lemos decidiram explorar neste Nora Helmer.

O espetáculo, que combina teatro e cinema, explora o texto de Ibsen e o de Lucas Hnath, dramaturgo norte-americano que, em 2017, se arriscou a pegar na peça de Ibsen e dar-lhe uma “continuação”. Casa de Bonecas 2.ª Parte conta-nos o que aconteceu a Nora desde que deixou a família, após um Natal trágico, e como se dá o seu regresso, 15 anos depois – a ação da peça passa-se em dois períodos, na década de 1950 e na de 1970.
“Trabalhar os dois textos e pô-los em diálogo foi muito interessante”, diz João Lourenço, rendido ao desafio de pegar naquele que é considerado “o primeiro texto dramático feminista e um dos mais representados no mundo.” Para o encenador, esta peça deve também ser vista por homens, já que “os argumentos masculinos estão aqui apresentados, num contraditório muito rico.” Paula Barroso. Teatro Aberto > Pç. de Espanha, Lisboa > até 20 abr, qua-qui 19h, sex-sáb 21h30, dom 16h > €17
2. Lá, Teatro Meridional

Esta coprodução entre o Teatro Meridional e o Teatro do Montemuro construiu-se sobre um texto do escritor José Luís Peixoto, encenado por Miguel Seabra. Em palco, está um trio de atores: Abel Duarte, Cristiana Sousa e Eduardo Correia. Lá fala-nos de nós. De um Portugal que são muitos Portugais e das suas migrações internas nas últimas décadas. “Entre um País rural e urbano, entre dois tempos marcantes da nossa realidade recente, as personagens imaginam o que não têm, idealizam-no e, quando chegam lá, apercebem-se de muito que não anteciparam”, diz José Luís Peixoto à VISÃO. “São histórias de migrações e da forma como temos vivenciado o território. Ao escrever este texto tive em consideração a minha própria experiência, uma vez que nasci no meio rural, vim para a cidade e, muitas vezes, penso em regressar às minhas origens”, acrescenta. Pedro Dias de Almeida. Teatro Meridional > R. do Açúcar, 64, Beco da Mitra, Lisboa > até 30 mar, qua-sáb 21h, dom 16h > €13
3. Deseja-se Fernanda!, Teatro Municipal São Luiz

O título desta peça é uma referência a Deseja-se Mulher, de Almada Negreiros, que foi o primeiro texto teatral encenado por Fernanda Lapa (1943-2020). Com texto de Ana Lázaro, encenação de Cucha Carvalheiro, a marca da companhia Escola de Mulheres e seis intérpretes em palco, esta celebração da atriz e encenadora parte de uma questão com resposta difícil: “Como é que a Fernanda encenaria hoje um espetáculo em sua homenagem?” Teatro Municipal São Luiz > R. António Maria Cardoso, 38, Lisboa > 15-23 mar, qua-sáb 20h, dom 17h30 > €12 a €15
4. A Família Addams, Teatro Maria Matos

As personagens são conhecidas do grande público, em séries de televisão e no cinema; a história é inédita. Wednesday Addams faz 18 anos e apaixona-se por um rapaz comum, receando que a sua família muito particular não aceite aquele namoro. O caos instala-se durante um jantar, encontro explosivo entre as duas famílias, que são bastante antagónicas e extravagantes à sua maneira, diz Ricardo Neves-Neves, desafiado a encenar este musical da Broadway. “A família Addams é obscura, a família do rapaz é luminosa, tem um brilho quase ridículo, são um género de árvores de Natal andantes.”
Um elenco de dez atores interpreta, canta e dança, no papel das personagens desta família, com uma obsessão por coisas mórbidas, criada pelo cartoonista norte-americano Charles Addams. Outros oito atores, com formação em teatro musical, juntam-se em palco, funcionando como um corpo de baile que vem em auxílio de Wednesday nas suas mentiras e fugas ao longo do espetáculo. A música é a original, de Andrew Lippa, com uma nova orquestração de Artur Guimarães. Teatro Maria Matos > Av. Frei Miguel Contreiras, 52, Lisboa > T. 21 362 1648 > até 4 mai, qui 19h, sex-sáb 21h, dom 16h30 > €20 a €22
5. Festa de Aniversário, Teatro do Bairro

The Birthday Party foi, em 1957, a primeira peça longa de Harold Pinter, o dramaturgo inglês que receberia, em 2005, o Nobel da Literatura. A mesma tradução de Artur Ramos e Jaime Salazar Sampaio que os Artistas Unidos levaram ao palco, com encenação de Jorge Silva Melo, em 2012, regressa agora a Lisboa, desta vez encenada por António Pires. O público volta a confrontar-se com esta atmosfera e personagens inquietantes, singela mistura de humor e terror. Com Adriano Luz, Ana Nave, Cláudio da Silva, Graciano Dias, João Barbosa e Vera Moura. P.D.A. Teatro do Bairro > R. Luz Soriano 63, Lisboa > 19 mar-20 abr, qua-sex 21h30, sáb-dom 18h > €15 (qua, €8)
6. Uma Barragem Contra o Pacífico, Teatro Municipal Joaquim Benite
É uma denúncia do colonialismo francês na Indochina, das “injustiças em relação aos colonizados, mas também da opressão, das dificuldades e da pobreza dos colonos”, explica Álvaro Correia, que encena, para a Companhia de Teatro de Almada (CTA), Uma Barragem Contra o Pacífico, de Marguerite Duras.

O espetáculo foi criado a partir da adaptação de Geneviève Serreau do terceiro romance, publicado em 1950, da escritora, dramaturga e cineasta francesa. Marguerite Duras (1914-1996) nasceu na colónia da Cochinchina, hoje uma região do Vietname, onde viveu até se mudar para Paris, aos 18 anos, com uma bolsa para fazer os seus estudos universitários.
Uma Barragem Contra o Pacífico revisita os tempos que passou na Indochina, centrando-se na história de uma mulher e dos seus dois filhos, nos anos 30 do século passado. “O que ela ficciona no romance aconteceu realmente à família dela durante a sua infância e adolescência”, conta o encenador. “Uma vivência que atravessa toda a sua obra e se condensa numa espécie de realidade/ficção que projeta na sua escrita de romances e também no seu teatro e cinema; Duras dizia que a sua vida estava nos romances.” Rafael Nabais. Teatro Municipal Joaquim Benite > Av. Prof. Egas Moniz, Almada > 14 mar-6 abr, qui-sáb 21h, qua e dom 16h > €13 > Conversas com o público, Colonos e retornados, conversas de lá para cá > sáb 18h
7. Amor é um fogo que arde sem se ver, Teatro Variedades

Maria do Céu Guerra estreou-se no Teatro ABC, no Parque Mayer, em 1970, com a revista Alto lá com elas, à qual se seguiu …E o Zé faz tudo!, no Teatro Variedades, entre outros espetáculos em que aqui participou. Neste regresso ao renovado Variedades, a atriz e encenadora de 81 anos traz o espetáculo d’A Barraca, Amor é um fogo que arde sem se ver, que assinala os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões. “Uma reescrita modernizada do texto camoniano, com uma linguagem acessível ao público dos nossos dias, sem cargas poeirentas e ultrapassadas, para dar a conhecer o poeta em toda a sua grandeza e independência”, lê-se na folha de sala. No palco estão, além de Maria do Céu Guerra, os atores Adérito Lopes, Beatriz Dinis e Silva, Érica Galiza, Gil Filipe, Luís Ilunga, Manuel Petiz, Maria Baltazar, Rita Mendes Nunes, Samuel Moura, Sérgio Moras, Teresa Mello Sampayo e Vasco Lello. Teatro Variedades > Pq. Mayer, Lisboa > 13-16 mar, qui 20h, sex-sáb 21h, dom 16h > €12 a €17
8. Sonho de Uma Noite de Verão, Teatro da Trindade

De volta à cena, depois de uma temporada com sessões esgotadas, está Sonho de Uma Noite de Verão. Diogo Infante propõe uma versão musical da comédia de William Shakespeare, integrando canções portuguesas no texto, “como se dele sempre tivessem feito parte.” Numa floresta habitada por elfos e fadas, homens e mulheres trocam juras de amor ao som de Paulo de Carvalho, Heróis do Mar, Amália Rodrigues, Ornatos Violeta, Marco Paulo e Expensive Soul. O elenco conta, entre outros, com Cristóvão Campos, Mariana Lencastre, Miguel Raposo, Sara Campina e Raquel Tillo. Teatro da Trindade > R. Nova da Trindade, 9, Lisboa > até 4 mai, qua-sáb 21h, dom 16h30 > €10 a €22
9. Sul, Teatro Carlos Alberto

Depois de O Salto, esta é a segunda parte de um díptico dedicado à emigração portuguesa clandestina no início dos anos 70, criado pelo encenador Tiago Correia. Sul, com interpretações de Virgílio Castelo, Francisca Sobrinho e Francisco Pereira de Almeida, centra-se na história de Michelle, francesa lusodescendente, que vem a Portugal tentar encontrar o seu avô biológico, mesmo não sendo essa a vontade da sua família. Teatro Nacional São João > Pç. da Batalha, Porto > até 16 mar, qua-qui e sáb 19h, sex 21h, dom 16h > €12
10. Comer a Terra, Espaço Fauna

Globalização, crise climática, capitalismo, ansiedade, migrações. Eis os ingredientes de Comer a Terra, uma ideia do Teatro da Didascália, em que o palco se torna cozinha para servir uma peça de teatro-comestível, determinada a “expor as camadas invisíveis da alimentação e os impactos do sistema alimentar”. A cooperativa cultural fundada e sediada em Joane, Vila Nova de Famalicão, deixa o aviso: “Este é um espetáculo-jantar. Venha preparado para comer, mas nem tudo será fácil de engolir”. A dramaturgia e encenação é de Bruno Martins, a interpretação de Cláudia Berkeley, Eduardo Breda e Pedro Couto, e a criação gastronómica da chefe de cozinha Tânia Durão. Espaço Fauna, Quinta da Bemposta, Tv. da Quinta, 1, Joane, V.N. Famalicão > até 15 mar, qui-sáb 20h > €15 a €25 (inclui entrada, prato principal, água, copo de vinho, sobremesa e digestivo) > Teatro Gil Vicente > Lg. Dr. Martins de Lima, Barcelos > 21 mar, sex 20h > €15
11. Arus Femia, Teatro Campo Alegre

Identificamos a escravidão com o açúcar mas como é que o arroz africano chegou às plantações do Novo Mundo? Para termos uma ideia, os africanos escravizados cultivavam o arroz no estuário do Sado (Portugal), no Brasil, nas Caraíbas e no sul dos Estados Unidos.
Em Arus Femia (“arroz fêmea”, na tradução do crioulo guineense para português), a encenadora e atriz Zia Soares parte do rasto deixado por mulheres guineenses que há 400 anos, ao serem forçadas a fazer a travessia para o continente americano em navios negreiros, traçaram a sua estratégia de sobrevivência: esconder as sementes de arroz nos seus cabelos trançados. No Novo Mundo, agitaram as suas cabeças, libertando as sementes que fecundaram a terra. O espetáculo, nas palavras da diretora artística do Teatro GRIOT, é “uma inexorável tacticografia levada a cabo por performers ou irans (espíritos/divindades) ou kankurans (espíritos guardiões dos rituais de iniciação) ou humanfíbios.” Teatro Campo Alegre > R. das Estrelas, Porto > 22-23 mar, sex 19h30, sáb 21h30 > €9 > Conferência Arroz Africano no Mundo Atlântico > 22 mar, sáb 14h30 > grátis, mediante levantamento de bilhete, no próprio dia, a partir das 11h
12. A Médica, Teatro Nacional São João

Religião e Ciência estão no centro desta peça com Custódia Gallego no papel de uma médica de origem judaica que nega a visita de um padre católico a uma adolescente a morrer devido a um aborto autoinfligido. A discussão entre os dois é gravada e partilhada nas redes sociais e o debate em torno da situação chega à televisão. A encenação é de Ricardo Neves-Neves para um elenco que inclui, entre outros, Adriano Luz, Pedro Laginha, Sandra Faleiro e Rita Cabaço. Teatro Nacional São João > Pç. da Batalha, Porto > 13-16 mar, qui e sáb 19h, sex 21h, dom 16h > €10 a €40
13. Haribo Kimchi, Teatro Campo Alegre

“Uma viagem culinária que explora a comida enquanto refúgio para os que estão deslocados da sua cultura”. Assim se anuncia Haribo Kimchi, a peça que o sul-coreano Jaha Koo traz ao Porto. Num pojangmacha (um carrinho de comida de rua), Koo vai cozinhando episódios íntimos e absurdos, enquanto “serve histórias pessoais marinadas em melancolia agridoce”, escreve-se na folha de sala. O espetáculo é falado em coreano e inglês com legendas em português e inglês. Teatro Campo Alegre > R. das Estrelas, Porto > 13-14 mar, qui-sex 19h30> €7
14. Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa, Ponto C

Sara Barros Leitão parte da história do primeiro Sindicato do Serviço Doméstico, em Portugal, para dar voz às mulheres que limpam o mundo. Um trabalho invisível, pouco reconhecido e valorizado, aqui retratado ao longo de décadas. A dramaturga, encenadora e atriz mergulhou nos arquivos do sindicato, entrevistou empregadas domésticas e descobriu pormenores surpreendentes sobre as suas lutas, conquistas e vivências, muitas vezes carregadas de dor. Um teatro comprometido com a causa feminista. J.L. Ponto C > R. de Puçus, 606, Penafiel > 14-15 mar, sex 21h30, sáb 18h30 > €9 a €12