A perturbação mental não é um estado de graça.
É absolutamente errado considerar os estados patológicos de uma pessoa, de um grupo de pessoas ou de uma sociedade como, estados normais.
Nada há de normal ou de saudável na Perturbação Desafiante de Oposição em crianças. Também não há nada de saudável ou normal nos comportamentos induzidos por Perturbações de Ansiedade e Depressivas ou nas Perturbações do Controlo de Impulsos e da Conduta.
As Perturbações Narcísica e Anti-Social da Personalidade induzem comportamentos de enorme gravidade. Estas patologias são uma gravíssima ameaça para o meio ambiente dos pacientes e para a sociedade envolvente.
Patologia é um estado de stresse e de sofrimento intenso e permanente (não necessariamente consciente), fortemente incapacitante e perigoso que, sem proteção, conduz a situações de (auto)destruição, à morte não natural e prematura, muitas vezes violenta.
Um estado patológico é um estado de enorme confusão entre o real e o irreal, o bem e o mal, o certo e o errado, o justo e o injusto.
A patologia distorce e adultera intensamente a perceção, a reflexão, a realidade e a verdade. Consequentemente, a patologia altera profundamente o comportamento (normal e saudável) da pessoa, de grupos de pessoas e até de uma sociedade.
Inúmeras pessoas, a maioria entre nós, sofrem de diversas patologias, umas mais graves do que as outras.
Muitas destas pessoas, individualmente ou em grupo, conseguem adaptar-se -umas melhor do que outras- às patologias de que sofrem. Tal não faz desaparecer o disfuncionamento, nem o sofrimento, as situações de grande descontentamento e insegurança, mas permite-lhes sobreviver. Algumas destas pessoas conseguem até alcançar posições de grande relevo e influência na sociedade, o que pode ter consequências gravíssimas para todas as outras. Tal é atualmente o caso nos Estados Unidos, na Rússia, na China, no Irão, na Coreia do Norte, etc., etc.
Quando a pessoa vive um estado patológico é conduzida pela “sua” patologia, não pela sua vontade. As outras pessoas, quando não conhecem a patologia da pessoa doente, surpreendem-se com o seu comportamento, não o compreendem, sentem-se frustradas, impotentes e irritadas.
Na situação atual, dizer que as relações internacionais e as relações entre as pessoas mudaram não pode significar que a patologia se tornou um estado normal, suportável e saudável. Tal não é o caso.
Precisamos de ser mais cuidadosos com as nossas reflexões e com o que dizemos. Quando a patologia caracteriza o estado de saúde da pessoa, os seus comportamentos (auto)destrutivos, o seu descontrolo e o seu sofrimento, assim como o sofrimento que provoca, não são normais.
Precisamos de nos tratar e ajudar os outros a se tratarem. É do nosso interesse! É igualmente urgente aprendermos a lidar, não só com estas pessoas, mas com os bebés e com as crianças muito jovens, pois este é o período onde tudo pode correr mal e tudo começa. A intuição, a improvisação e a adivinhação não são, de todo, suficientes para ajudar bebés e crianças muito jovens a terem um desenvolvimento saudável.
Os beijinhos e as festinhas da minha mãe e do meu pai fizeram-me falta, mesmo muita falta. Felizmente, aprendi, ao observar o meu pai (e a minha mãe?), a diferença entre o bem e o mal e o significado de justiça e injustiça. Ao observá-lo(s), aprendi a respeitar e a respeitar-me, aprendi a identificar-me com o outro, a sentir o seu sofrimento e alegria. Os meus pais nunca me hostilizaram, o que é fantástico, mas assisti, em casa, à prisão do meu pai pela Polícia Internacional de Defesa do Estado. O Estado e as instituições nem sempre estão do lado certo ou emanam justiça.
O escrutínio do estado de saúde mental das pessoas importantes e poderosas
Na sociedade, em todos os setores, temos de alargar as situações em que o escrutínio do estado de saúde mental das pessoas é obrigatório. É fundamental, para todos, saber em que medida as pessoas estão aptas a assumir uma função especifica.
Não há dúvida que algumas pessoas, por vezes com funções extremamente importantes, nos fazem mal porque sofrem de perturbações mentais extremamente graves. Mas, há também muitas outras que acham que a maldade é algo relativo e que é menos repugnante quando traz ganhos. Esta pode ser uma condição a que por vezes chamamos “condição subclínica”. Em qualquer dos casos, a maldade – subclínica ou clínica – é inaceitável: é associal e nada saudável.
A maldade e a vilania, o mal e a injustiça, são comuns, mas não são um estado de graça. São uma desgraça!
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.