O absurdo espreita sempre aqui e ali por todas as partes. Mas há lugares onde se impõe, omnipresente, quase sempre trágico, como uma caricatura do próprio absurdo. Gaza é um desses lugares, todos os dias. Gaza é o absurdo e este absurdo é o horror.
Foi assim a 29 de janeiro de 2024, foi assim ontem, mais um dia em que vigorou um cessar-fogo durante o qual já foram mortas mais de 100 crianças – em outubro do ano passado, dois anos depois do início da guerra que a ONU descreve como genocídio, a UNICEF contava 64 mil crianças mortas ou mutiladas na Faixa de Gaza, mais as “que morreram por doenças evitáveis ou continuam soterradas debaixo dos escombros”.