
Foram meses a levantar dinheiro de uma conta portuguesa, com limites muito baixos que me obrigaram a muitas transações e, consequentemente, tiveram custos muito elevados. Até que me decidi a abrir conta num banco local. Muitas conversas mais tarde, e várias recomendações de amigos, acabaram por me decidir por um que tem sede em Singapura e representações em Bali.
Na véspera da primeira tentativa de abertura de conta, um amigo explicou-me muito detalhadamente a localização. Mas explicações de caminhos são uma verdadeira tortura, pelo que vou acenando e concordando com os detalhes, só para que terminem logo! No final, “percebo tudo”, mas na prática perco-me sempre.
De manhã, chamei um Uber, procurei a morada no site do banco e metemo-nos em duas horas de trânsito infernal para lá chegar. Só que a morada estava errada e o número de telefone também… outro par de horas mais tarde, acabámos por desistir e pedi ao motorista para me deixar num warung em Seminyak, para um almoço tardio. No dia seguinte o processo repetiu-se, mas desta vez consegui o número certo e liguei antes para o banco, a confirmar a morada. Assim, nada podia correr mal.
Podia sim, pode sempre! Chegada ao banco, após as tais duas horas no trânsito, porque na altura ainda não andava de mota, sento-me para tratar da papelada. Só que levei comigo o passaporte da minha filha e não o meu. Por esta altura, entrei em desespero. Estava a construir um poço. Dois ou três dias mais tarde, precisava de ter uma determinada quantia em rupias e não me imaginava a passar por este suplício outra vez.
Como é que isto iria correr em Portugal? Bom, em Bali correu assim:
A Angelina, que se tornou uma pessoa fundamental na nossa vida, foi falar com o gerente, e pediu-lhe autorização para, com o motorista do banco, me levarem a casa e confirmarem o passaporte. Talvez isto seja uma coisa relativamente normal para quem tem contas milionárias, mas não era o caso da minha. O facto, é que nesse mesmo dia tudo ficou resolvido. Dispensei o uber e voltei no carro do banco para casa.
Bali é uma terra onde tudo pode correr mal, mas onde ainda se resolvem as situações da maneira mais gentil e inesperada possível.
E como é que a a Angelina se tornou tão importante? Problemas bancários são comuns na Indonésia: cartões engolidos (para sempre), cartões engolidos e cuspidos quando já desistimos que eles saiam para serem apanhados por alguém, cartões clonados, dificuldades nas transações, entre outros. Só que, a partir do momento que se trocam os primeiros contactos, o whatsapp entra em cena. E nunca mais temos de ligar para o banco!
— Angelina, socorro, o meu cartão foi engolido.
— Não saia daí até que eu o cancele, e não se preocupe.
Dois minutos mais tarde, tudo tratado e novo cartão à minha espera na dependência. Por esta altura, já andava eu de mota e as distâncias passaram a ridiculamente pequenas.
— Angelina, veja o screenshot que lhe enviei. As minhas transferências estão a dar erro.
E a Angelina resolve.
Tenho uma caderneta, recebo extratos, uso o cartão, mas não me lembro do nome do banco. O meu banco da Indonésia é a Angelina e um motorista simpático e paciente, que um dia me salvou a semana. Recomendo-os!

VISTO DE FORA
Dias sem ir a Portugal: estou em Portugal a começar a ter saudades de Bali.
Nas notícias por aqui: aproxima-se o Nyepi Day (o dia do silêncio) e os avisos aos visitantes intensificam-se. Este ano reparei num novo: nem pensem em tirar selfies. É um dia é de reclusão e reflexão, mas no ano passado no dia seguinte circulavam várias fotografias de turistas em ruas desertas tiradas durante o Nyepi. Estas imagens causaram grande desconforte em Bali. Para desencorajar estas atitudes e discutir a “proibição das selfies” reuniram-se representantes hindus, muçulmanos, cristãos e budistas. As regras são claras “ninguém pode sair de casa” e esta regra é para ser cumprida por todos.
Um número surpreendente: A policia apreendeu 400 quilos de carne de tartaruga numa carrinha durante uma operação de rotina.
Embora as tartarugas marinhas sejam protegidas pela lei da Indonésia, o comércio de carne de tartaruga ainda persiste especialmente em Bali, onde a sua procura se mantém alta.