O recente embate entre as seleções nacionais de futebol de Portugal e da Dinamarca, a contar para os quartos de final da Liga das Nações, saldou-se numa expressiva vitória por 5 a 2 (ficando 5 a 3 no combinado das duas mãos).
Apesar de sofrida – Portugal só conseguiu a vitória no prolongamento e só garantiu o prolongamento quase no final do tempo regulamentar – a vitória de Portugal é demonstrativa da supremacia futebolística de Portugal face à Dinamarca: Portugal ocupa o 7º lugar no ranking UEFA de seleções masculinas, enquanto a Dinamarca ocupa o 16º e, com a passagem à “final four” da Liga das Nações, Portugal surge como uma das quatro melhores seleções da Europa da atualidade (conjuntamente com a Alemanha, a França e a Espanha).
Esta posição de destaque, ao nível europeu e mundial, que Portugal vem evidenciando no futebol de seleções tem poucos pares: nem nos outros desportos (excetuando o hóquei em patins), nem na economia, nem na ciência, nem na felicidade.
A questão da felicidade é crítica. O mais recente relatório mundial da felicidade – o World Happiness Report 2025 que sintetiza os dados de 2022 a 2024 – ilustra bem este contraste: Portugal, numa lista de 147 países, surge na posição 60 ao nível da felicidade (uma quebra de 5 posições face ao relatório de 2024). A comparação com a Dinamarca é cruel: é que a Dinamarca surge na 2ª posição. Na felicidade, os goleados somos nós.
Mas importa olhar com um pouco mais de detalhe e tentar perceber, nesse relatório, o que explica tamanha diferença.
Alguns atirarão, a correr, que é diferença no PIB dos dois países, a favorecer a Dinamarca, a principal causa. O relatório não suporta essa hipótese.
As dimensões que o relatório aponta como principais elementos explicativos da felicidade são: suporte social; PIB per capita; esperança de vida saudável; liberdade; generosidade; perceções de corrupção. De todas estas dimensões (excetuando a esperança de vida saudável, cujos dados não surgem nas tabelas de 2024), é no PIB pc que estamos numa posição mais aproximada: Portugal no lugar 32, Dinamarca no lugar 5 (27 posições de diferença). É nas outras dimensões que as distâncias aumentam: Suporte social, Portugal no lugar 51, Dinamarca no lugar 4 (47 posições de diferença); Liberdade, Portugal no lugar 40, Dinamarca no lugar 10 (30 posições de diferença); Generosidade, Portugal no lugar 111, Dinamarca no lugar 31 (80 posições de diferença); Perceções de corrupção, Portugal no lugar 122, Dinamarca no lugar 4 (118 posições de diferença!).
As ilações são claras: há muito que fazer em Portugal para se melhorar a felicidade, independentemente do que aconteça ao nosso PIB: baixar a percepção de corrupção, aumentar a generosidade, aumentar o suporte social e melhorar a sensação de liberdade serão elementos decisivos se nos quisermos aproximar dos melhores exemplos mundiais como a Dinamarca. E não será com as vitórias nos jogos de futebol que vamos conseguir ganhar o campeonato da felicidade.
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