Como debate, não foi um grande debate aquele que na noite da passada segunda-feira, 10, opôs Alberto Núñez Feijóo a Pedro Sánchez. A razão é simples e resume-se num ápice: os principais candidatos a chefiar o governo de Espanha – o líder do Partido Popular e o ainda primeiro-ministro, que após a derrota dos socialistas nas eleições regionais de maio decidiu antecipar as legislativas inicialmente previstas para dezembro – pouco ou nada disseram sobre as suas propostas políticas. Nem economia, nem educação, nem saúde, nem energia, nem Europa. Infelizmente, Feijóo e Sánchez não conseguiram esclarecer os seus eleitores sobre nenhum destes temas.
Apesar disso, tratou-se de um debate duro, o que em teoria até seria uma qualidade numa discussão política que se preze. O problema é que a agressividade traduziu-se numa disputa sem orientação possível, digamos. “Um mau debate que não respondeu a nenhuma das perguntas essenciais e deixou os cidadãos indefesos perante uma chuva de dados que descreviam realidades radicalmente distintas e totalmente objetiváveis, sem que nenhuma verificação tenha esclarecido em direto”, escreveu o diário El País em editorial. O mínimo que se pode acrescentar (dizemos nós) é que é absurdo que, no tempo da comunicação imediata, não seja possível fornecer aos eleitores informação de qualidade que lhes permita tomar melhores decisões, no caso concreto, escolher em quem votar para liderar os destinos do país.