“Os bairros são um cerco erguido em torno da nossa casa. Sermos de um determinado bairro cuida de nós. Pertencemos à vizinhança, que fica profundamente implicada connosco nisto de existirmos.
Talvez nunca possamos deixar de ser quem fomos num bairro. Podemos ansiar por outro modo de viver, um menos colectivo, menos avizinhado, mas o mundo organiza-se para sempre na cabeça de quem cresceu num bairro definido, com seu carisma e inevitável corporativismo.
As Caxinas [Vila do Conde] são um bairro grande onde cresci. Hoje, sou das Caxinas com o privilégio da naturalidade, por mais que a vida me possa oferecer outro mundo, mais mundo. Estar nas Caxinas é profundamente estar em casa, sem outra coisa que não a normalidade.
Acho que os bairros sonham sempre com melhorar, e alguns melhoram, mas o que fazem de mais incrível é ser um ponto de regresso onde os nossos sucessos e os nossos falhanços nunca importam mais do que um abraço, uma mesa no café de sempre, a marginal com o mar à espreita.
Por mais que partamos, estar no bairro é sentir que nunca partimos, porque estar se torna um modo de ser”.